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NAD M33 V2

NAD M33 V2

Miguel Marques

12 julho 2026

Um «lobo» que também faz de cordeiro quando a música lhe pede


A marca canadiana NAD (cujas letras significam New Acoustic Dimension e com a curiosidade linguística de ser um acrónimo em português e uma sigla em inglês) será sobejamente conhecida de todos os audiófilos, pela sua presença global e longa história (desde 1972), principalmente focada na amplificação. Hoje em dia a NAD pertence ao grupo Lenbrook, que inclui também a Bluesound (streamers e software) e a PSB (colunas), assim como, mais recentemente, a tecnologia MQA. Se há coisa de que não se pode acusar a NAD, é de ser uma empresa saudosista ou virada para o passado - com a recorrente inclusão de componentes digitais nos seus produtos e a adopção da tecnologia Classe D na amplificação, a NAD é uma da marcas mais viradas para o futuro do actual cenário da alta-fidelidade.

Foto 1 NAD M33 V2

Que diferenças tem então o M33 V2 para o M33? Uma secção de potência actualizada, com o mais recentes módulos Eigentakt, uma secção de DAC actualizada, com o mais recente chip da ESS, um novo desenho no circuito ADC (analog to digital converter), a actualização da entrada HDMI de ARC para eARC e novas tecnologias MQA, que actuam tanto na conversão de analógico para digital como na inversa - não tendo ouvido o modelo anterior, não poderei fazer comparações. Vamos então, ponto por ponto, destrinçar este M33 V2:

1) O streaming é cortesia do software BluOS, uma tecnologia que já vem sido desenvolvida desde 2012 e que desde 2023 existe na sua versão V4, sendo claramente um produto bastante maduro e que é usado por marcas fora do grupo Lenbrook, como a Dali, a Roksan ou a Cyrus. A aplicação funciona bem, é visualmente muito bonita e bastante simples de usar, embora eu continue a preferir as aplicações que uso diariamente: Synfonium, Bubble UPnP e Qobuz - e se consegui usar o Qobuz com facilidade através do Qobuz Connect, o mesmo não se passou com as outras, porque o software Bluesound não inclui UPnP, nem como renderer, nem para descobrir servidores através da aplicação interna. Para os que usam servidores no seu dia a dia, como eu, terá de criar uma share SMB, aceder ao mesmo pela aplicação e criar uma biblioteca interna a partir daí. O processo funciona muito bem, sendo que, para os que gostam de ter capas dos discos (até porque aparecem no maravilhoso ecrã do M33 V2), também aqui a BluOS tem uma peculiaridade, não processando JPEG ou PNG acima de 600 kB e de 1024x1024. Já testei diversos produtos BluOS no passado, e já percebi a forma mais rápida de contornar este problema: ter em todas as pastas de discos um ficheiro chamado cover ou folder (JPEG ou PNG) e, quando se constrói a biblioteca, activar a opção «Optimize Artwork». Desta forma, a própria aplicação converte sozinha os ficheiros que ultrapassem os seus critérios - demora um pouco mais a criar a biblioteca mas depois temos capas em todos os discos (o mesmo processo, através de imagens embutidas nos ficheiros FLAC, não funciona tão bem).

2) O DAC conta com os ES9039PO, os actuais topos de gama da Sabre, que vieram definitivamente resolver os pouquíssimos problemas que estes chips ainda tinham e que representam um verdadeiro state of the art no que toca a chips Delta-Sigma nos dias de hoje (a par dos mais recentes AKM).

Foto 2 NAD M33 V2

2) O préamplificador é digital, usando o volume disponível nos chips ESS, que funciona a 32 bit e é muito transparente, implicando perdas de qualidade sonora muito baixas, quase negligíveis (e sem necessidade de nos preocuparmos com distorção digital, porque há sempre atenuação nesse domínio). Nem sempre tive experiências positivas com préamplificadores digitais ligados directamente a amplificadores de potência, mas a NAD sabe o que faz e não se nota qualquer degradação sonora, mesmo com atenuações significativas de volume (tanto assim que é que até tive a impressão inicial do controle de volume ser analógico, tendo sido a presença de um ADC que me alertou para a possibilidade de não ser, o que a marca confirmou).

3) O ponto em cima implica que todos os sinais de entrada, mesmo os analógicos, são convertidos para digital, através do ES9823MPRO ADC e da tecnologia FOQUS (explico mais à frente), o que poderá ser relevante para os mais puristas do analógico (não é o meu caso),

4) A secção de potência está a cargo dos mais recentes Eigentakt, sendo importante referir que estes módulos são customizados para a NAD, não se encontrando à venda para outras marcas. Debitam 200 W a 8 ohm e 380 W a 4 ohm, alimentando virtualmente qualquer coluna.

5) Este NAD conta com múltiplas entradas, analógicas e digitas, nomeadamente: estágio de fono em modos MM e MC, entrada de rede, Bluetooth (em modo two-way), Wi-Fi, HDMI-EARC para televisões, duas entradas S/PDIF ópticas, duas entradas S/PDIF coaxiais, entrada AES/EBU (a recomendada para quem use transportes digitais externos), duas entradas analógicas, uma RCA e outra XLR, entrada USB para pen (até 1A) e saídas de pré-amplificador em modo XLR, assim como duas saídas para subwoofer (com crossover ajustável) - estranho apenas a ausência de entradas USB, para ligar um computador ou transporte digital, e SFP, que pelas suas capacidades de isolamento de ruído me parece que virá a ser o novo padrão nas entradas de rede, dispensando assim network switches.

Foto 3 NAD M33 V2

Nota: é possível adicionar uma entrada USB, utilizando o Módulo MDC USB DSD numa das duas entradas de módulos do M33 V2 (havendo outros módulos disponíveis).

6) Quanto a protocolos externos não temos UPnP mas temos Roon Ready, Airplay, Tidal Connect, Qobuz Connect e Spotify Connect. É possível ainda, não usando estes protocolos, usar a própria aplicação BluOS para aceder aos seguintes serviços: Amazon Music, Bugs, Custom Channels, Deezer, IDAGIO, KKBOX, Napster, Neil Young Archives, nugs.net, Pandora, Presto Music, Qobuz, QPlay, Qsic, SOUNDMACHINE, Spotify, TIDAL e Tunify. E, como rádios, temos Audacy, Calm Radio, iHeartRadio, LiveOne, Radio Paradise, SiriusXM e TuneIn, e ainda controlo por voz através da Amazon Alexa ou da Apple Siri. Fiz testes com Roon, Qobuz através da aplicação e Qobuz Connect, e não tive absolutamente nenhum problema de uso.

7) É importante também referir que M33 V2 traz DIRAC (um programa muito conhecido de correcção acústica) até aos 500 Hz e um microfone de calibração, o que pode ser muito útil para corrigir falta ou excesso de graves - no meu caso, geralmente evito usar correcção acústica porque uso muitas vezes igualização nos graves para resolver problemas das próprias gravações nesta região, que são comuns, e o uso de ambas em simultâneo não é de todo aconselhável, podendo induzir problema de fase e cancelamento de frequências. É possível ainda, pagando, aceder ao DIRAC na sua totalidade, sem a limitação dos 500 Hz.

Foto 3A_NAD M33-V2-com M23v2

8) Também o MQA é parte integrante deste M33 V2, o que não é surpreendente dado que o grupo Lenbrook comprou esta tecnologia à Meridian em 2023. Tem havido algumas polémicas em relação ao MQA, com opiniões fortes de cada lado da barricada, e devo referir que tenho algum cepticismo em relação a esta tecnologia, mas gostei tanto do som deste amplificador que, se o MQA introduz algum artefacto, ele foi inaudível para mim. Neste M33 V2 as tecnologias incorporadas são o FOQUS, que como escrevi acima, opera na conversão de analógico para digital, e que serve para melhorar o comportamento desta operação em termos temporais, particularmente se depois se aplicar processamento digital, como igualização ou DIRAC, tendo sido feitos testes extensivos durante o desenvolvimento deste amplificador entre o módulo ADC com e sem FOQUS, tendo sido a opinião da NAD que a introdução do FOQUS era essencial. Já o QRONO d2a, como indica a sigla final, opera na conversão de digital para analógico, aplicando um filtro de upsampling específico que substitui os habituais filtros ESS, tendo como objectivo uma vez mais melhorar comportamento no domínio temporal, sem prejudicar a resposta de frequência e evitando pre-ringing (estas explicação foram-me dadas por Cas Oostvogel, da Lenbrook, tendo eu adaptado as suas respostas no texto anterior). Infelizmente não é possível desligar este filtro, trocando por um dos filtros ESS, e assim comparar a diferença com o QRONO d2a desligado e ligado, mas isso é possível actualmente no leitor de CDs C 589 (será também possível futuramente no M33 V2, segundo me foi indicado), que também veio para teste, e onde será possível avaliar os efeitos deste filtro no resultado final, ligando e desligando o mesmo (embora esse teste não vá ser feito por mim).


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