
Calou-se um das grande vozes da musica portuguesa
Falecido prestes a comemorar 50 anos de carreira, Luís Represas era um nome incontornável do panorama musical português. Fundados os Trovante juntamente com João Gil, deixou para a posteridade músicas inesquecíveis tais como Timor, 125 Azul, Perdidamente e várias outras.
Pessoalmente tenho na minha colecção o LP original com o título Baile no Bosque mas creio que ouvi uma grande parte das canções dos Trovante, tal como muitos portugueses. O grupo foi fundado em 1976, e incluía, para além do Luís, João Gil, João Nuno Represas, Manuel Faria e Artur Costa e manteve-se activo até 1998.
A partir desse anos Luís Represas enveredou por uma carreira a solo, e editou vários álbuns, dos quais se destacam A Hora do Lobo, Fora de Mão, Olhos Nos Olhos e Miragem, este o mais recente e que saiu em 2024.
Já há alguns anos que Luís Represas se debatia com um cancro no pulmão e aguardava pelo início de um tratamento inovador que seria iniciado no Hospital de Salta Maria. Apesar da luta contra a doença, continuava activo e tinha já agendados para os Coliseus de Lisboa e Porto espectáculos comemorativos dos 50 anos de carreira, juntando-se uma vez mais os Trovante para essa finalidade. Ao longo da sua carreira, Luís Represas colaborou com Fausto Bordalo Dias, José Afonso, Carlos do Carmo, Bernardo Sassetti, Pablo Milanés, Ivan Lins, Martinho da Vila, Simone, Jorge Palma, Phil Collins, Compay Segundo, Gilberto Gil e Carlinhos Brown, entre muitos outros. Recebeu em 2005 a honrosa distinção de comendador da Ordem de Mérito.
Será quase um clichê dizê-lo mas é difícil não o fazer: a música portuguesa ficou órfã de uma dos seus grandes nomes. A melhor homenagem que se pode fazer a Luís Represas é ouvir e reouvir as músicas que ele nos cantava.