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Musical Fidelity Nu-Vista 800.2

Musical Fidelity Nu-Vista 800.2

Miguel Marques

20 janeiro 2026

Uma «pérola escondida» do mundo da alta-fidelidade.


Para concluir, decidi ouvir o clássico Rumours, dos Fleetwood Mac (1977, DR15, Pico -0,44 dB, Warner Bros, edição japonesa 32XD 350), particularmente o tema Dreams, um dos meus preferidos do universo pop. Com a pouquíssima compressão aplicada a esta edição é preciso puxar bem pelo volume do 800.2 para o som «acordar», mas assim que o fazemos, a clareza do 800.2 volta a ser dominante, sendo possível identificar cada instrumento sem nenhuma dificuldade - e a mostrar também que o 800.2, apesar do seu som mais directo, aguenta bem gravações menos felizes (apesar do brilhantismo da música deste disco, de fazer corar qualquer artista pop dos dias de hoje, a qualidade da gravação não é brilhante, o que é particularmente evidente no clássico Go Your Own Way). A colocação espacial é também excelente, de referência neste classe, com as muitas vozes de Stevie Nicks colocadas com precisão cirúrgica no palco estéreo. O nível de detalhe é de tal ordem que, por volta dos cinquenta segundos, percebe-se perfeitamente que Mick Fleetwood, durante uns segundos, muda o sítio da tarola onde ataca, voltando rapidamente ao ponto original, detalhe que até hoje nunca tinha ouvido - uma das tarefas mais árduas para os bateristas de rock, na era pré Pro Tools, era conseguirem ter um som sempre consistente, atacando no mesmo sítio a música toda, o que é extremamente difícil.


Conclusão


Já citei aqui mais do que uma vez esta frase de John Atkinson, da Stereophile, mas desta vez vou fazê-lo no teste certo: ”This was a difficult review to write given that, like other 21st century solid state amplifiers that offer superbly low distortion and noise, the Musical Fidelity Nu-Vista 800.2 didn’t have a readily discernible sonic character.” Eu, humildemente, acrescentaria que, nos meus testes, concordei quase sempre com esta descrição, tendo-me até surpreendido o quão neutro o 800.2 soava, tendo em conta que se trata de um amplificador (parcialmente) a válvulas. Mas faria uma excepção a essa neutralidade no que toca a transientes / presença - o 800.2 é um amplificador musculado, realista e muito directo neste departamento, com um som mais presente que vários outros amplificadores que já ouvi neste sistema e que requer, na minha modesta opinião, algum cuidado na escolha de parceiros (precedentes e procedentes). Esta região, entre os 2 kHz e os 4 kHz, é aliás muitas vezes definidora do som de um sistema, com muitas marcas de colunas a apostarem num afundamento (propositado ou acidental) nesta região (por vezes, é mesmo só um crossover mal desenhado, outras vezes é mesmo de propósito), comummente chamado de ”B&W dip” ou ”BBC dip”, o que proporciona um som mais agradável e idealizado, menos fatigante mas também menos realista (o equivalente à aplicação de um filtro Instagram a uma fotografia, digamos) - muitos instrumentos musicais, quando tocados com mais força, soam bastante desagradáveis, se os ouvirmos ao vivo e de perto. O 800.2 é um amplificador que não suaviza esta região, muito pelo contrário, e que tem uma enorme clareza e presença na sua reprodução, o que pode não ser do agrado de todos e convém ter isso em conta - notei esse realismo particularmente em pianos e trompetes, mas é uma característica sonora que atravessa todo o espectro musical.

Foto 9 MF Nuvista 800_2

Sei bem que, por essa Internet fora, está na moda desvalorizar o conceito de «sinergia» mas, por muitas simpatias que tenha com o lado mais objectivo da alta-fidelidade, e tenho, neste caso discordo profundamente - nem todos os componentes «casam» bem e consigo imaginar que algumas colunas possam soar excessivamente agressivas com este 800.2. É também necessário ter cuidado com o (relativamente) baixo nível de ganho do 800.2, especialmente se estivermos a usar colunas pouco sensíveis ou fontes com pouco «sumo» na saída. Mas, feitas estas duas ressalvas, e dentro de um sistema que se adapte bem a este som musculado do 800.2, este integrado é uma «pérola escondida» do mundo da alta-fidelidade e uma magnífica introdução ao mundo do high-end. Não é barato, mas não será nada fácil, pelo mesmo preço, encontrar melhor (igual ou diferente, sim, mas não melhor). E, sendo completamente analógico, partindo do pressuposto que a Musical Fidelity tenha um stock saudável de válvulas Nuvistor, o 800.2 é uma compra para a vida que não passará pela inevitável desactualização do digital, parecendo-me a mim que só investindo significativamente mais do que o custo deste integrado se poderá ter ganhos sonoros dignos de registo. Ficou então, para mim, definida uma nova referência nesta gama de preço, e uma que não creio que seja derrubada nos próximos tempos.



PS 1 - Para quem goste de medições, o 800.2 já foi medido várias vezes e as medições em baixo confirmam que a sua excelente prestação sonora não é fruto do acaso…

Medições laboratoriais 1

Medições laboratoriais 2

Medições laboratoriais 3

Foto 10 MF Nuvista 800_2

Heinz Lichtenegger, CEO da Audio Tuning, à esquerda, e Simon Quarry, projectista de áudio da Musical Fidelity.



PS 2 - Gostaria de deixar um agradecimento final a Heinz Lichtenegger, CEO da Audio Tuning Vertriebs GmbH, empresa que há uns anos adquiriu a Musical Fidelity, que simpaticamente se disponibilizou para esclarecer algumas questão de topologia que tinha em relação ao 800.2 e à Imacustica, que cedeu o dCS Lina DAC X por mais uns dias do que seria suposto, o que permitiu fazer um teste do 800.2 bastante mais condizente com o valor (monetário e sonoro) deste integrado.


Amplificador integrado Musical Fidelity Nu-Vista 800.2
Preço           11 999 €
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