
Um tudo-em-um que alia conveniência com qualidade de topo em todas as suas valências
Audições
O Aavik U-288 substituiu o meu sistema residente, tendo sido ligado às colunas Marten Parker Trio via cabos Kimber Select KS-3033. Por forma a avaliar do funcionamento como conversor D/A independente foi ainda utilizado um transporte de CD Primare DD15 ligado ao Aavik via cabo coaxial Nordost Blue Heaven. Como fonte analógica esteve o gira-discos Project Xtension 10 Evolution com cabeça Hana ML e prévio de phono Elac PPA-2 ligado à entrada de linha do Aavik via cabo Madrigal CZ-Gel.
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Antes de passar às impressões de audição, uma palavra para a App de controlo da AGD Stream. A marca recomenda a utilização de um iPad, dado que a app foi originalmente pensada para utilização com o sistema operativo iOS e numa interface em formato tablet. Contudo, a versão disponível para Android, que utilizei no meu Samsung S23 Ultra permite o controlo básico do U-288 numa versão mais simplista e sem problemas. A alternativa Tidal / Qobuz / Spotify Connect incluída no módulo de rede do U-288 permite usar um telemóvel Android ou iPhone sem necessidade de usar obrigatoriamente a App AGD Stream para ouvir música. Basta abrir directamente a aplicação oficial da Tidal, Qobuz ou Spotify e enviar o som directamente para o Aavik.
Lista de obras escutadas durante as audições
• G. Mahler, Sinfonia nº 10 (comp. Deryck Cooke), Orq. Minnesota, Osmo Vänskä, Qobuz HR
• I. Stravinsky, O Pássaro de Fogo, Orq. Filarmónica Israel, DG (CD)
• A. Bruckner, Sinfonia nº 8, Orq. Filarmónica de Viena, Carlo Maria Giulini, Qobuz
• S. Rachmaninov, Concerto n.º 3 para Piano e Orquestra, Vladimir Ahskenazy, Orq. Concertgebouw, Bernard Haitink, Tidal
• L.v.Beethoven, Fantasia Coral para Piano, Coro e Orquestra, Op.80, Rudolf Serkin, Orq. sinf. Boston, Coro Festival Tanglewood, Seiji Ozawa, Telarc (CD)
• Patricia Barber, Clique, Qobuz HR
• Patricia Kaas, Scène de Vie, Tidal
• Supertramp, Crime of the Century, A&M Records (LP)
• Scorpions, Gold Ballads, EMI (LP)
• Pink Floyd, The Final Cut, EMI (LP)
As primeiras impressões que documentei dão conta de uma apresentação musical onde pontua uma extraordinária focagem e nitidez dos instrumentos em palco, o que lhes confere uma muito invulgar sensação de presença em sala. Esta sensação de presença não é acompanhada com a mesma destreza pela definição de um palco sonoro de grande amplitude. O foco é na definição, articulação, focagem e dinâmica do objecto musical, ainda que o excipiente acústico não se revele de um modo tão arejado e amplo como noutros projectos. O que me pareceu após audições de música de natureza diversa, nomeadamente a Sinfonia nº 10 de Mahler e o álbum Scène de Vie da Patricia Kaas, é que a maior parte dos sistema de som procuram dar-nos uma perspectiva do conjunto vocal / instrumental no âmbito do contexto acústico em que decorreu a captação sonora, enquanto o Aavik dá maior ênfase à reprodução dos instrumentos, mas no contexto da sala de audição, o que de início se estranha mas depois se percebe como uma maneira diferente de apresentar o mesmo evento musical.
A voz da Patricia Kaas, surgiu desde logo com uma focagem absolutamente fabulosa, com uma correcta reprodução do timbre rouco da intérprete e um corpo musical muito equilibrado. Por detrás da voz, toda a secção rítmica de percussão e metais mostrava uma dinâmica avassaladora, com um enorme impacto, mas, simultaneamente, revelando uma diversidade de pormenores que me deixou estupefacto.
O Aavik U-288 possui um registo grave tenso, rápido e impactante. A forma como se espraia pela sala construindo os firmes alicerces das peças musicais, deixa espaço para uma gama média informativa, tonalmente escura e envolvente, e capaz de nos fazer sentir parte integrante do espectáculo musical em curso. Em virtude do grave tenso e bem articulado, a gama média ganha um esplendor assinalável e respira numa atmosfera isenta de qualquer tipo de constrangimentos impostos pelos registos graves que poderiam, eventualmente, macular a performance final.
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Curiosamente, a característica tonalmente escura a que aludi no parágrafo anterior, parece ser uma característica dos circuitos digitais, streamer e / ou DAC do Aavik. A funcionar como amplificador analógico a receber o sinal via entrada de linha desde a fonte analógica, as características tonais surgiram muito mais claras e abertas, num equilíbrio sonoro mais próximo da neutralidade tonal.
No espectro de frequências superior, o Aavik exibe um misto de resolução, informação e requinte, com total ausência de efeitos agrestes ou passíveis de causar cansaço. O agudo é extenso embora de apresentação não frontal, com um excelente recorte, ausência de efeitos de congestionamento ou grão e destaca-se pela sua capacidade em fazer-nos sentir a música reproduzida na nossa sala de audições com vozes, metais, percussões e demais instrumentos a imporem uma notável sensação de presença.
Conclusão
O Aavik U-288 custa 25 000 €. Um valor que o coloca firmemente no segmento high-end, e onde as soluções mais habituais a este nível passam pela escolha de três ou quatro produtos para fazer o mesmo que o U-288 faz com um único chassis. Vendo dessa perspectiva já não parece um valor assim tão elevado.
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O Aavik U-288 julgo, destina-se antes de mais ao audiófilo que dá primazia à simplicidade, abdicando da dificuldade da escolha de múltiplos equipamentos, do avaliar da respectiva compatibilidade, sem esquecer a miríade de cabos necessários para ligar tudo. Com O Aavik U-288, basta ligar um par de colunas que lhe faça justiça e tem-se um sistema de áudio completo, baseado em streaming, mas com possibilidade de expansão e cuja magnífica qualidade em cada uma das suas valências é absolutamente inquestionável.
Amplificador integrado Aavik U-288
Preço 25 000 €
Representante Ultimate Audio