
Tudo o que a ele chega é devolvido com requinte e uma musicalidade que me manteve sempre intimamente ligado à música.
Já escrevi aqui por estas páginas que, a partir de um certo nível de preço, tenho grande apreço por separar analógico e digital e, consequentemente, por amplificadores completamente analógicos, que me parecem mais imunes ao passar do tempo e uma compra mais sensata a longo prazo. Nesse domínio, entre vários que sempre quis experimentar, um Luxman sempre me pareceu uma excelente peça e quando se colocou a hipótese de fazer este teste não hesitei, tendo-me chegado às mãos o L-505Z, o mais barato da actual linha de integrados da Luxman (todos completamente analógicos).

Quando abrimos a caixa, é logo evidente, e já o parecia pelas imagens online, que este Luxman é um amplificador muito, mas mesmo muito, bonito - numa estética muito vintage, a fazer lembrar o design moderno do século XX, o L-505Z é um dos amplificadores mais bonitos que já testei, com os habituais vuímetros e duas grandes «rodas» de cada lado (uma para selecção de entrada, a outra para o volume).
De um ponto vista de especificações, o L-505Z emprega a conhecida LIFES (“Luxman Integrated Feedback Engine System”), uma tecnologia de controlo do feedback do amplificador, que por sua vez se baseia na ODNF (“Only Distortion Negative Feedback”), outra tecnologia da marca sino-japonesa. Quanto a potência, este amplificador debita 100 W a 8 ohm e 150 W a 4 ohm, o que pode sugerir algum cuidado com colunas com impedâncias mais baixas, tanto nominal como mínima. Na parte de préamplificação, contamos com mais uma tecnologia proprietária, desta vez apelidada de LECUA (“Luxman Electronically Controlled Ultimate Attenuator”), a mostrar um certo apreço da Luxman por siglas e acrónimos, e que funciona em precisos 88 passos de 1 dB, e ainda com um buffer discreto no circuito de saída para o amplificador de potência. Com um substancial transformador de alimentação, e quatro condensadores de filtragem, cada uma respeitável capacidade de 10 000μF, este L-505X prometia muito, pelo menos no papel…

Continuando ainda com algumas especificações, e como é comum nos amplificadores vintage, temos selector de entrada, botão de volume, selector de colunas (no habitual formato Off, Speaker A, Speaker B e Speaker A+B), controlo de balanço de canais, equalização sobre a forma de graves e agudos (que assumo funcionar em formato ”Baxandall”, ou uma derivação do género), duas saídas de auscultadores, selector MM/MC para quem use gira-discos e dois controlos apelidados ”Separate” e ”Line Straight” (já lá vamos). No painel traseiro, temos uma entrada para gira-discos, quatro entradas de linha não balanceadas (RCA), uma saída de préamplificador, uma entrada balanceada (embora, segundo consegui perceber, o amplificador não seja balanceado internamente), um inversor de fase e duas saídas para colunas.

Antes do começo propriamente das audições, queria deixar uma nota sobre o controlo remoto, tantas vezes o calcanhar de Aquiles dos amplificadores (ou dos préamplificadores) - apesar de ser o amplificador de entrada da Luxman, a empresa não poupou neste elemento, apresentando um comando substancial, muito bonito, simples e ergonómico de usar e (relativamente) leve. Deveria ser sempre assim, mas nem sempre é... É também apenas através do remoto que é possível controlar várias configurações, que depois no amplificador têm um LED para confirmar que estão activadas ou desactivadas, como a função de Loudness, e os vuímetros e indicador LED de volume, com a tecla ”Meter” - sendo que o LED de volume se apresenta em formato numérico mas descendente, o que significa que funciona em escala negativa de dB em passos de 1 dB, mas sem o sinal de ”-”, o que ao princípio foi bastante confuso, porque quando se sobe o volume vemos os números a descer…

Quanto a todas estas funções, vamos então por partes, da esquerda para a direita:
a) A escolha entre MM e MC será clara para todos os utilizadores de vinilo e creio não carecer de explicação, sendo possível regular este função apenas no painel frontal do amplificador, com um botão e LEDs a indicar qual das opções está activa.
b) A função ”Separate”, se percebi bem, desliga o pré-amplificador, sendo portanto preciso ter muito cuidado para não carregar acidentalmente neste botão, quer na frente do amplificador, quer no remoto, porque se arrisca a estragar não só os altifalantes, como os nossos ouvidos… Tem, claro, vantagens, para quem queira usar configurações mais complexas. Para além de ser possível controlar no painel frontal e no remoto (onde preferia que não estivesse), tem também um LED para indicar se está activa.
