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Luxman L-505Z

Luxman L-505Z

Miguel Marques

28 maio 2026

Tudo o que a ele chega é devolvido com requinte e uma musicalidade que me manteve sempre intimamente ligado à música.


c) O selector de colunas permite usar o modo Off, para quem queira usar auscultadores, escolher entre dois pares de colunas (A e B), e até usar várias colunas ao mesmo tempo (A+B), sendo aqui necessário ter bastante cuidado com impedâncias… Disponível apenas no painel frontal do amplificador.

d) A igualização de graves e agudos funciona bastante bem para pequenos ajustes, sendo particularmente útil com auscultadores, embora não tenha usado muito, porque a minha fonte digital (Eversolo A6 Master Edition Gen 2) tem igualização paramétrica. Já o controlo de balanço, como nome indica, permite “deslocar” o som mais para um dos lados. Mais uma vez, disponível apenas no painel frontal do amplificador - seria óptimo poder trabalhar com o controlo remoto sentado no local de audição habitual. Nos três botões há um pequeno ”click” central, para termos a certeza que estão flat.

Foto 6 Luxman L505Z

e) A função ”Line Straight” tem activação no remoto e no painel frontal, e ainda um LED para indicar que está activa, e desactiva equalização, balanço e loudness, permitindo um circuito mais simples e directo. Como, quando uso equalização, uso a do Eversolo, e não tenho grande uso para balanço e loudness, tive esta opção sempre ligada, tendo sentido que o amplificador soava um pouco melhor assim. Não se trata de uma diferença monumental, mas nota-se um pouco mais de clareza e definição.

f) As saídas de auscultadores, em formato 6,3 mm e 4,4 mm, também não carecem de grande explicação (escreverei mais à frente com maior detalhe sobre esta parte).

a) A função Loudness pode apenas ser activada pelo remoto, tendo um LED no painel frontal a indicar se está ligada ou desligada. Esta função serve para contrariar a curva de Fletcher-Munson, permitindo que, quando se ouve a um volume muito baixo, se oiçam melhor os graves e aos agudos - e no caso deste Luxman é muito eficiente, diga-se.

Feitas as apresentações, foi hora de partir para as audições, acompanhado por um Eversolo A6 Master Edition Gen 2 e por umas KEF LS50 (versão original). Toda a música escutada foi servida por UPnP e em FLAC, num NUC a correr Kodi ou MinimServer, sendo ambos os servidores controlados com um tablet Android. E comecei por Step Lightly, um disco do trompetista Blue Mitchell, baseado numa composição homónima de Joe Henderson (uma das suas melhores), que apenas descobri recentemente e que foi gravado em 1963 mas apenas editado em LP em 1980, e que aqui escutei na sua primeira edição em CD, de 1994 (BN Works TOCJ 4142, DR14, Pico +0,31 dB). E fui começando por aqui a perceber que este L-505Z é um amplificador com personalidade e cor, afastando-se, por exemplo, do som neutro dos Classe D (e mesmo alguns Classe A/B) que tenho testado - com um som quente e musical, com transientes claramente aveludados, no melhor sentido do termo, o que torna a escuta de música muito agradável. No tema Mamacita, de Joe Henderson, ao longo do solo do pianista Herbie Hancock, os fills dos sopros que se ouvem por trás dos solistas, soam suaves e delicados, sem nunca se imporem. No solo da trompete de Blue Mitchell, instrumento que muitas vezes pode soar agressivo (embora Blue Mitchell não tenha um ataque tão agressivo como outros trompetistas desta era), o som chega-nos quente e envolvente, o que pode retirar algum realismo, mas adiciona uma dose de calor ao timbre do trompete que se torna aditiva - e o mesmo se passa com o saxofone alto de Leo Wright no solo de Andrea, mais um instrumento que pode soar agressivo com facilidade, e que o Luxman suaviza magnificamente. Já em Step Lightly, ouve-se com muita nitidez o walking bass de Gene Taylor, em perfeita consonância com o prato de choque de Roy Brooks, o que nem todos os amplificadores conseguem reproduzir (mesmo em momentos de improvisação e fills simultâneos, a separação instrumental foi clara).

Foto 7 Luxman L505Z

Passando para a música erudita, escutei agora Forgotten Melodies (2026, Sony), disco de estreia do pianista Alexander Malofeev, uma das maiores promessas mundiais do piano, a reunir obras de compositores russos e servido desta vez pelo Qobuz - com este Luxman a mostrar excelente desempenho neste formato tão intimista, o do piano solo (e nem sempre produtos de gamas maiores reproduzem bem este formato). Os timbres do piano, sempre muito bonitos, mantiveram mais uma vez uma cor «quente», como já tinha notado no disco passado, e as dinâmicas foram reproduzidas de forma imaculada, exactamente como se esperaria de um amplificador nesta gama. A ligação emocional esteve também sempre garantida, do princípio ao fim deste álbum.

Passei em seguida para o mundo da música pop/rock, que foi onde este Luxman mais me surpreendeu - não que não tenha soado muitíssimo bem no jazz e no clássico, mas a música pop/rock é muitas vezes mais desafiante para produtos mais avançados, pelas manifestas insuficiências na qualidade da gravação e / ou masterização, e nem todos os produtos me convencem plenamente neste departamento. Em vez de ouvir um disco específico, dediquei-me a escutar uma playlist feita por mim, com mais de 2000 faixas, em modo shuffle, e ir-me deliciando. Mesmo em música muito comprimida (Every Time the Sun Comes Up, de Sharon Van Etten, DR7, + 0,21 dB, ou Big in Japan, de Tom Waits, DR8, -1,08 dB), o L-505Z não se queixou e seguiu firme e sereno, com uma reprodução exemplar. Também a energia contagiante de Rebell Yell (Billy Idol, DR12, Pico +0,16 dB), um clássico absoluto do rock, inspirada por uma noite de farra de Billy Idol com os Rolling Stones, onde se bebeu um bourbon que deu o nome à música, foi tocada com uma compostura rítmica que não ouvi muitas vezes com este tema, sendo quase impossível não bater o pé. Essa mesma energia foi novamente muito evidente em You Oughta Know, clássico de Alanis Morissette, aqui na excelente versão SACD da Mobile Fidelity ripada para FLAC (24/88,2, DR12, -0.32 dB), com reprodução exemplar do magnífico e único timbre de Alanis, que gravou esta obra-prima ao primeiro take, imagine-se, e que tocada com uma energia contagiante. Passei depois para um teste de fogo, o tema Brothers in Arms, dos Dire Straits, soberbamente gravado e aqui masterizado pela Mobile Fidelity (24/88,2, DR14, Pico -1,55 dB) - é até curioso que se oiça tão pouco este tema em demonstração de alta-fidelidade, dificilmente se encontrará outro tema de rock tão conhecido e tão bem gravado (foi aliás um dos primeiros discos a ser gravado todo em digital e uma grande promoção para o formato CD, na época uma novidade absoluta). E o Luxman «comeu» este tema sem reversas, atirando cá para fora um palco grande e imersivo, com uma exemplar reprodução do rimshot na tarola e do lindíssimo timbre na guitarra eléctrica de Mark Knopfler, que ele ataca com os dedos, uma raridade no rock. Termino esta longa descrição sonora com um dos meus temas preferidos de sempre neste género, Into the Mystic de Van Morrison (-1.42 dB, DR13, 16/44,1), na primeira edição em CD - uma tema mais próximo do soul do que do rock, com um magnífico arranjo de sopros. O timbre da voz volta a destacar-se, como o dos sopros, mas também o fantástico groove de John Klingberg no baixo eléctrico é reproduzido na perfeição, com excelente destaque ao longo de todo o tema, sem nunca tomar conta de todo o espectro musical, o que nem sempre é fácil com o baixo eléctrico.

Foto 8 Luxman L505Z

Como já escrevi por diversas vezes, não sou um especialista em auscultadores, mas quase todas as notes ouvi um a dois álbuns com a saída de 6,3 mm deste Luxman, acompanhado por uns Sennheiser HD700, e deu-se a curiosidade de sentir que todas as características que descrevi acima se aplicam também à saída de auscultadores deste L-505Z, provando que a marca sino-japonesa sabe impor a sua marca sonora a qualquer das saídas dos seus amplificadores. E a ausência de cansaço auditivo, que já tinha notado com as colunas, é aqui ainda mais relevante, porque me é muito fácil cansar-me a ouvir música com auscultadores, e aqui isso nunca aconteceu. Um excelente complemento, portanto.

Conclusão

Tem sido por demais evidente, ao longo dos últimos anos, o crescimento exponencial do objectivismo na alta-fidelidade, com grande imposição de medições exaustivas e com a repetição de certos «mantras» típicos de uma seita - ”bits são bits” e ”se mede igual, soa igual”. Ao contrário de muitos, e não concordando com muito do que os mais objectivistas defendem, creio que esta posição tão extremada acabou por ser positiva, ao recentrar um pouco mais a alta-fidelidade junto do bom senso e do pensamento crítico e mais longe do voodoo e do esoterismo que acompanha certas bancadas ultra-subjectivistas (o outro lado da moeda). Mas, se há coisa que se torna evidente ao fim de muitos testes, é o quão diferentes podem soar diferentes produtos, mesmo que ambos tenham excelentes (e similares) medições. Quase todos os produtos que por aqui passam têm uma marca única e por isso existe tanta diversidade nesta indústria, dando maior liberdade de escolha aos consumidores, o que é óptimo.

Foto 9 Luxman L505Z

E serve esta reflexão para conclui que o L-505Z foi, de longe, o amplificador mais agnóstico que experimentei até hoje, e que essa foi a característica que mais me marcou ao longo das minhas audições. Suporta gravações de má qualidade sem grandes queixas, toca todos os tipos de música sem dificuldades e sempre a soar bem, com especial apetência para o difícil mundo do pop/rock, não sendo inclusive tão influenciado por diferentes masterizações do mesmo disco como vários outros produtos que por aqui passaram (e, já agora, também não induz nenhum cansaço auditivo, mesmo em sessões de escuta longas). É muito comum, ao longo dos muitos produtos que fui testando, haver alguns discos que potenciam melhor as qualidades de alguns produtos, e outros que nem tanto - ou mesmo até isso acontecer com certos géneros de música, alguns soando melhor, outros piores. Nunca senti isso com o L-505Z, tudo o que se lhe serve é devolvido com requinte e uma musicalidade que me manteve sempre intimamente ligado à música.

Para alem disso, o L-505Z é um produto diferente de muitos dos equipamentos modernos, onde a neutralidade e a velocidade e impacto de transientes imperam - já tive no meu sistema componentes onde me pareceu ser possível misturar ou masterizar diferentes combinações sem grandes dificuldades, por exemplo. Nesse ponto, o L-505Z é muito mais um produto de alta-fidelidade no sentido clássico do termo, tendo uma característica sonora mais idealizada e romântica, muitas vezes encantadora - sendo que esse romantismo não retira palco, separação instrumental ou dinâmicas ao som, mas acrescenta uma marca que torna a escuta de música mais agradável.

Juntando ao agnosticismo musical e ao calor da reprodução, um design lindíssimo, o prestígio da marca e a segurança a longo prazo de um produto completamente analógico, e este L-505Z é de audição obrigatória para todos os que busquem um integrado nesta gama de preço, e particularmente para todos cujos gostos musicais sejam eclécticos e diversificados, passando por géneros muito diferentes entre si e, como infelizmente acontece muitas vezes, por gravações de menor qualidade. Nesta característica específica, ainda não ouvi melhor que este L-505Z - junte-se-lhe uma boa fonte digital, ou um bom gira-discos, e pode-se por a tocar sem preocupações de maior, garantido sempre uma experiência muito…muito prazerosa. E não é precisamente para isso que investimos em alta-fidelidade, para termos mais prazer a ouvir música? Fica então o conselho, passe pela Imacustica, muito dificilmente não gostará de escutar este L-505Z.

Amplificador integrado Luxman L-505Z

Preço                     12 990 €
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