Banner LG OLED  Audio Cinema 17-07-25
Sarte Audio Out 2025
Banner vertical Imac 30-04-25
Banner Exaudio 19-08-25
Banner vertical Ultimate Fever 24
Banner vertical Imac 30-04-25
Banner Absolute original
Diptyque_Wadax_Gryphon
Banner Logical Design_26 Jun 24

Quad 33/303

Quad 33/303

Leonel Garcia-Marques

7 abril 2026

Para além da nostalgia e de estético retro:
Quad 33 (prévio) + 2 Quad 303 (amplificação de potência vezes dois)


Audições


Liguei os QUAD 33 / 303 às minhas colunas residentes, as B&W 705 S2 e como fontes usei o leitor Atoll SACD200 e o leitor de rede Shanling SMT1.3, sempre através do DSD DAC Cyan 2 da Holon. Também ouvi o Quad 33 e os Quad 303 em configuração simples, mas a maior parte das audições foram realizadas em configuração dupla.

Foto 7 QUAD 33 e 303

O que define esta combinação não é o espetáculo imediato e exibicionista, mas a consistência. Os QUAD 33/303 não impressionam com graves inflacionados nem com agudos cintilantes. Em vez disso, oferecem uma reprodução que privilegia relações — entre instrumentos, entre planos, entre silêncio e som.
Os graves são firmes e articulados e com excelente controlo. Não são exuberantes, mas são muito corretos. Contrabaixos e bombos surgem com definição e sem arrastamento. O ganho em corrente da configuração dupla traduz-se numa capacidade de ataque e recuperação muito convincente.
Os médios são o verdadeiro ponto forte. Vozes humanas, cordas e sopros apresentam textura e naturalidade e com grande transparência microdinâmica. Há uma sensação de presença sem projeção artificial.
Os agudos são suaves, ligeiramente contidos. Na prática, esta contenção traduz-se em longas sessões de escuta sem fadiga. A ausência de estridências é notável.

Foto 4 QUAD 33 e 303

O palco sonoro é estável, coerente e profunda e com dimensões mais do que suficientes para deixar os instrumentos respirar e coexistir com o silêncio de forma claramente tridimensional. Apesar da grande separação estéreo, não há exageros analíticos de isolamento, mas sim uma integração orgânica entre as várias fontes sonoras.
Mas passemos ao detalhe da…

                                        Playlist



Cappella Mediterranea (dir. Garcia-Alarcón) – Li Passione di Gesu de L. Garcia-Alarcón), 2 CD – Alpha-Classics.
Ruby Hughes/ Jonas Nodberg/ Mime Yamahiro Brinkmann – Amidst the Shades (música de Dowland, Johnson, Britten, Wallen, etc.), SACD – Bis.
Champion Fulton & Cory Weeds – Dream a little…, CD – Cellar Live
Art Pepper – Everything Happens to Me – 1959 Live at the Cellar, 3 CD – Omnivore
Help 2 – Various, 2 CD – Warchild
Cameron Winter – Heavy Metal, CD – Play it Again Sam



Começando pela clássica. A obra de Leonardo Garcia-Alarcón, Li Passione di Gesu é uma obra contemporânea, mas embora composta na grande tradição de Monteverdi e Bach, não recusa elementos contemporâneos, emoções e até toques de jazz. Obra magnífica feita de vozes diversas e sucessões de pequenos episódios com grande variedade instrumental. Quase pareceu que Garcia-Alarcón tinha os Quad em mente quando compôs a sua obra, tal a perfeição da dupla configuração Quad na reprodução dos muito diferentes timbres, dos variados ataques e subtilezas dos instrumentos de percussão e na precisão e extensão do palco sonoro.

Foto 8 QUAD 33 e 303

Depois a grande soprano Ruby Hughes, acompanhada por Jonas Nodberg (alaúde) e Mime Yamahiro Brinkmann (viola de gamba). Reportório intimista e muito melódico que vai de Dowland a Errollyn Wallen, passando pelo inevitável Britten. A voz de Hughes é espantosa com registo de agudos e médios, um grão e uma tessitura muito belos, numa gravação SACD de grande qualidade. O desempenho da dupla configuração Quad mostrou toda a sua subtileza e controlo e impecável correção dos seus médios.
No jazz, temos o duo descontraído e descomprometido de Champion Fuller (voz e piano) e Cory Weeds (sax alto). Sessão muito informal, cheia de swing e bom gosto que a dupla configuração Quad soube captar a um nível acústico de grande qualidade em que os timbres dos instrumentos emergem limpos e corretos (mas quase que com um toque do calor das válvulas), e em que o gozo auditivo encontra verdadeiro terreno fértil. Grande desempenho. Depois uma gravação inédita de Art Pepper original, antes do seu eclipse e subsequente ressurgimento. Uma gravação ao vivo com óbvias limitações, mas em que essas limitações são mais do que compensadas com a excitação ambiente e a qualidade dos standards e da improvisação com base nesses standards com um dos maiores alto de sempre. A dupla configuração Quad não foi necessariamente indulgente com as limitações da gravação, mas a qualidade da reprodução dos solistas e o controlo sobre possíveis estridências tornaram a experiência auditiva memorável.

Foto 6 QUAD 33 e 303

Finalmente, o rock indie. Cameron Winter é uma nova estrela (líder dos Geese, mas aqui a solo). Em Heavy Metal revela a originalidade da sua voz, da sua gravitas misturada com sedução de grande cantautor que é. A voz única de Winter, a tonalidade soturna das composições e a beleza às vezes estranha das melodias não foram obstáculo para a dupla configuração Quad. Belo som das guitarras e, ocasionalmente, das cordas e dos sopros. Outra vez, uma grande prestação auditiva, precisa nos ataques das notas, correta na reprodução dos timbres e grande musicalidade.

A terminar, o novo álbum de solidariedade para as crianças vítimas da guerra (flagelo que infelizmente não sofre redução com o passar do tempo e o suposto desenvolvimento das nações). Este é o segundo volume da saga Help, o primeiro é de meados dos anos noventa. Também neste volume, estão representadas muitas das bandas do momento atual (como foi ocaso em 1995) tais como Artic Monkeys, Black Country New Road, The Last Dinner Party, Fontaines D.C., Cameron Winter, Pulp, Wet Leg, etc. Uma autêntica panóplia de talento num registo basicamente de originais, com imenso talento, imensas guitarras e um leque incrível de diferentes em sentido literal e não só. Controlo, precisão e amplitude do palco sonoro, mas também uma inescapável musicalidade quase “valvular” – as grandes armas da dupla configuração Quad para dar conta do recado exemplarmente.



Conclusão



A combinação QUAD 33 com duplo QUAD 303 não é apenas a atualização de um sistema vintage — é uma declaração de princípios. O QUAD 33/duplo 303 de 2024 não é uma homenagem — é uma atualização bem-sucedida de uma ideia. Mantém a ética de Walker, mas liberta-se das limitações do tempo em que foi inicialmente concebido. Se o original seduzia pela verdade e dimensão humana, esta combinação acrescenta autoridade e controlo sonoro.

Foto 9 QUAD 33 e 303

Para mais o preço não é exorbitante, a estética tem um bom FAF (Factor de Aceitação Feminino) e, caso eventualmente se olhe nessa direcção, a configuração simples (um só amplificador de potência estéreo) ostenta a óbvia possibilidade de modularidade, o que é uma grande qualidade a ter em conta quando se contempla a possível aquisição de um destes conjuntos da Quad, tendo em mente a aquisição futura de mais uma unidade de potência. Compre hoje a configuração simples e atualize-a, amanhã ou quando puder, para uma configuração dupla. Aposto que dificilmente se irá arrepender.

Conjunto Quad 33/303
Preços:
Préamplificador 33                         1 499 €
Amplificador de potência 303       1 499 € (1 unidade)
Contacto                                       Sarte Audio