
Gostei genuinamente muito do tempo que passei com este Puccini – não tinha tido nenhuma experiência com a marca italiana até agora –, e fiquei muito bem impressionado.
Algumas marcas de alta-fidelidade, por uma razão ou por outra, passam mais despercebidas do que outras e por vezes alguns excelentes produtos podem passar ao lado dos mais desatentos - assim acontece com a Audio Analogue, uma empresa italiano que opera desde 1996, e sempre com produção em solo italiano, uma raridade nos dias que correm. Apesar do nome, existem também produtos digitais no portfólio da marca, como leitores de CD e DACs, e outro tipo de produtos, como colunas ou cabos, sob a alçada da Airtech.

Para teste chegou-me então o Puccini Anniversary, precisamente da linha Anniversary, um integrado completamente analógico, e que foi lançado para comemorar o Puccini original, o primeiro amplificador da marca - já agora, o nome não é uma homenagem directa a Giacomo Puccini, o famoso compositor que nos deu óperas magistrais como La Bohème, Tosca ou Madame Butterfly, na realidade advém de Andrea Puccini, o responsável pelo desenho deste circuito. Disponível em cinza e preto, este integrado segue linhas muito sóbrias, até industriais, eventualmente diferentes do que se esperaria de uma marca italiana, mas que me agradaram.
Como especificações, temos um transformador de 700VA, um circuito duplo mono com uma potência de saída de 80w a 8 ohm, 160 w a 4 ohm e 300w a 2 ohm (números que indicam que este Puccini terá facilidade em alimentar afundamentos de impedância, o que é importante), componentes de muita qualidade e ainda quatro entradas RCA e uma entrada XLR - em que a entrada é completamente balanceada, mas não o resto do circuito. Outra nota importante sobre este amplificador, é a ausência de global feedbak - uma técnica que tem tantos fãs como detractores, e que, como quase sempre na vida, traz vantagens (transientes mais imediatos, por exemplo) e desvantagens (uma redução do dumping factor, ou seja, um aumento na impedância de saída, que pode levar a um menor controlo dos graves, e piores medições, nomeadamente mais distorção, para quem se preocupe com isso).

Quanto ao controle remoto, é também ele sóbrio e industrial, mas bonito e simples de usar, embora um pouco pesado. Através do controlo remoto é possível ajustar algumas configurações, como a intensidade dos LEDs, o tipo de controlo de volume (com quatro opções, tendo escolhido a escala linear, a minha preferida, o que mostra que existe algures uma componente digital dentro deste Puccini, e que segundo consegui perceber online, não tem qualquer interferência no sinal analógico), o balanço entre canais e a activação de um modo “directo” - modo este que, tal como escrevi recentemente noutro teste, preferia que não estivesse disponível ou que não fosse activável pelo remoto, porque desactiva o pré-amplificador e pode com facilidade destruir altifalantes e / ou ouvidos. O processo de configuração é um pouco arcaico, sem menus, mas acabei por conseguir pôr a escala de volume em linear, tendo deixado o resto das configurações como estavam. Deixo ainda nota final para o cabo de potência que acompanhava este Puccini, muito acima do esperado para esta gama de preço, com um ar muito sólido e premium.

Vamos então agora à parte que mais interessa, as características sonoras deste Puccini, que foram avaliadas com um Eversolo A6 Master Edition Gen2 como fonte, ligando por XLR, e com umas KEF LS50, versão original, tendo a música sido servida por dois servidores, um Kodi e um MinimServer, ambos controlados por tablet (Symfonium e Bubble UPnP, respectivamente). Quando foi usado o MinimServer, usei conversão de FLAC para WAV 32bit, para melhor uso de DSP do Eversolo, e em ambos os casos usei uma atenuação de -3 dB no Eversolo, para evitar intersample overs, através do controlo de volume digital dos chips ESS.
