
Tecnologia moderna envolta em vestes clássicas
Audições
O Advance Paris A10 Apex foi testado em ligação ao streamer Aurender A20 e ao transporte de CD’s Primare DD15. As colunas foram as residentes Marten Parker Trio. A cablagem incluiu o cabo Kimber Select KS-1121 na interligação analógica e os Audioquest Carbon USB e Nordost Blue Heaven nas ligações digitais. Nas colunas estiveram os habituais Kimber Select KS-3033.
Lista de obras escutadas durante as audições
• J. Brahms, Requiem Alemão – Ein Deutsches Requiem, Hendricks, van Dam, Wiener Singverein, Orquestra filarmónica de Viena, Herbert von Karajan, Qobuz
• G. Mahler, Sinfonia nº 1, Orq. Fil. Berlim, Bernard Haitink, Tidal
• S. Rachmaninov, Danças Sinfónicas, Orq. Concertgebouw Amesterdão, Vladimir Ashkenazy, Qobuz
• Mussorgsky, Quadros de Uma Exposição, transcrição para órgão e leitura de Jean Guillou no órgão do Tonhalle de Zurique
• Brahms, Concerto p/piano e orquestra nº1, Nelson Freire, Orquestra Gewandhaus Leipzig, Riccardo Chailly, Qobuz
• Patricia Kaas, Scène de Vie, Tidal
• Supertramp,The Best of, CD, A&M Records
• Mariza, Fado em Mim, CD, World connection

O exemplar que veio para teste já estava bem rodado devido a uma utilização corrente na Delaudio. Ainda assim, o A10 Apex beneficia de um período de aquecimento antes de mostrar todo o seu potencial, possivelmente devido ao andar a válvulas, sendo conveniente ligá-lo uns 30 minutos antes de audições sérias se se quiser usufruir em pleno do que o A10 Apex pode oferecer. A frio pode soar um pouco claustrofóbico, principalmente ao nível dos graves que aparecem algo sobreamortecidos, ganhando em tensão e articulação à medida que a temperatura estabiliza.
No início do Requiem Alemão, de Brahms, os contrabaixos desempenham um papel fundamental na criação da atmosfera sombria e profunda da obra, graças a uma nota pedal sustentada nos contrabaixos a que se junta o órgão e os violoncelos que estabelecem essa sustentação grave como uma âncora para toda a harmonia inicial. Pressente-se uma pulsação rítmica, uma batida constante e suave, que funciona como um batimento cardíaco que confere à música uma sensação de solenidade e marcha lenta, que resulta numa textura harmónica densa e envolvente.
Naturalmente que a reprodução de uma teia harmónica tão complexa não é tarefa fácil para nenhum equipamento de reprodução de música, mas o A10 Apex conseguiu segurar a tensão destas páginas e passar para o ouvinte não apenas a leitura factual da escrita musical, mas principalmente a ambiente, a solenidade que é absolutamente imprescindível a uma convincente fruição da obra musical. O palco sonoro do A10 Apex revelou muito boas dimensões, ligeiramente recuado, mas impressionante na sua capacidade de nos presentear com uma imagem equilibrada nas três dimensões, merecendo especial destaque a resolução em profundidade.

Passando a um género musical totalmente diferente, com o álbum Scène de Vie da Patricia Kaas, no tema Regarde les Riches, a batida da percussão surgiu com uma boa presença e um sentido rítmico bem marcado. Essa presença no registo médio-grave contrasta com uma aparente menor energia no extremo grave, lá onde impera o grande órgão de tubos ou a ressonância da caixa dos violoncelos e contrabaixos, conferindo uma excelente energia à bateria dos agrupamentos de jazz e rock, ainda que possa acusar alguma anemia quando chamado a reproduzir instrumentos como os mencionados órgão de tubos ou um naipe de contrabaixos de uma orquestra sinfónica, como foi constatado com a audição da transcrição para órgão da autoria do organista Jean Guillou da peça Quadros de Uma Exposição, de Mussorgsky ou com as Danças Sinfónicas, de Rachmaninov.
Pormenorizando de baixo para cima, os graves soam cheios e articulados e cumprem a sua função de ser os fundamentos da obra musical sem se fazerem notados pelo exagero. Contando ainda com o exemplo das Danças Sinfónicas de Rachmaninov, quando os naipes de cordas graves, violoncelos e contrabaixos assumem um papel de destaque na apresentação do tema logo ao início do primeiro andamento, tornam-se perfeitamente notados, com uma muito boa distinção tímbrica entre os violoncelos e os seus irmãos mais graves, os contrabaixos, revelando em conjunto o acontecimento musical, mas logo que a musica dá o primeiro plano a outro naipe, os graves retraem-se e voltam à sua função habitual de sustentáculo da obra sem se imporem desnecessariamente.
A grande gama média é a responsável pela beleza do som, melíflua, e de uma liquidez impressionante, prolonga-se até um registo agudo, suave e delicado, bem focado em toda a sua extensão, do que resulta uma sonoridade totalmente livre de arestas cortantes, agressividades ou asperezas. Para este resultado contribuirão certamente as válvulas do andar de pré-amplificação, situação que pude comprovar ao ligar a saída variável do Aurender à entrada directa do A10 Apex, o que faz bypass ao andar de préamplificação, resultando numa sonoridade bastante diferente, mais articulada, mais rápida e mais seca, mas perdendo muito do calor e da envolvência musical que se obtém com as válvulas no caminho do sinal, e que acaba por ser o elemento diferenciador do A10 Apex no seio de uma multidão de amplificadores integrados neste escalão de preços.
Uma gama média com estas características faz esperar naturalmente um excelente trabalho com vozes, o que ficou cabalmente provado com a audição da possante voz da Mariza a cantar Ó Gente da Minha Terra de uma forma pungente e plena de sentimento, sendo que o A10 Apex foi capaz de transmitir todo o empenho e o sentimento que a Mariza coloca na interpretação.

Os grandes contrastes dinâmicos são bem resolvidos, ainda que sem a desenvoltura que experimento com o meu sistema habitual, o que é perfeitamente natural em face da enorme diferença de preços. Todavia, o efeito emotivo, a contemplação puramente espiritual da obra musical é revelada no respeito demonstrado pelas variações dinâmicas de cada um dos instrumentos, e por uma apresentação sonora que é transparente, fluida e eminentemente bela. É, assim, importante destacar que não notei falhas de relevo da parte do amplificador em análise, já que suavidade e liquidez não têm de ser necessariamente sinónimos de lamechice ou moleza, defeitos de que o A10 Apex, felizmente, não padece.
Conclusão
O A10 Apex é um amplificador integrado que oferece muito para o preço que custa. Em termos estéticos as alterações face ao modelo Classic tornam-no uma opção mais universalista, pelo menos do meu ponto de vista e para o meu gosto. Por outro lado, está bem equipado em termos de conectividade, quer pela profusão de entradas analógicas que oferece, gira-discos incluído, quer pelo circuito de conversão digital/analógico integrado, que conta com um chip de insuspeita qualidade capaz de tirar total partido de transportes de CD’s e / ou servidores / streamers de rede.
No que se refere às prestações sonoras é difícil pedir mais por um amplificador integrado que custa menos de 2 500 €. Um som caloroso, mas sem perda aparente de resolução, envolvente e com potência mais do que suficiente para accionar colunas de um escalão muito acima do seu sem esforço aparente. Para quantos procuram um amplificador neste escalão de preços, uma máquina muito completa e de audição obrigatória.
Especificações técnicas
Potência de saída (8/4 Ohm) 130 W / 19 8W (THD+N 1%, 1kHz, 2 ch.)
Resposta em frequência (+/-1dB) 20 Hz – 80 kHz (31 W, 8 Ohm)
Distorção 0,045% (1 kHz, 90 W, 8 Ohm)
Relação sinal/ruído 106 dB (1 kHz, 90 W, 8 Ohm)
Fonte de alimentação Transformador toroidal de 380 VA
Conversor digital/analógico: ESS9018
Válvulas de pré-amplificação ECC81/12AT7 (x2)
Dimensões: 43x17,5x35,1 (cm)
Peso 12,9 Kg
Preço 2 490 €
Representante Delaudio