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Wandla Ferrum Golden Sound Gen 2 + Hypsos

Wandla Ferrum Golden Sound Gen 2 + Hypsos

Miguel Marques

24 março 2026

O silêncio é de ouro mas a música ainda o pode ser mais.


Audições

E comecei bem, com um disco obrigatório: Nocturno (2003, 16-44.1, Clean Feed, Peak -0.09 dB, DR 13), do superlativo (e muito saudoso) Bernardo Sassetti, acompanhado por Carlos Barretto no contrabaixo e Alexandre Frazão na bateria. Gravado (em Belgais, no espaço e no piano de Maria João Pires), misturado e masterizado por Nelson Carvalho, um dos melhores cá do burgo, este disco vale não apenas pela elevada qualidade musical mas também pela boa qualidade da gravação e masterização. E os Ferrum deram muito bem conta do recado, com o timbre delicado do piano de Sassetti em O Sonho dos Outros (tema belíssimo, que já tive o prazer de tocar) a ser muito bem reproduzido - Sassetti era aliás um pianista de jazz de ataque leve e contido, algo relativamente incomum, e estes dois produtos fizeram mais do que jus à sua delicadeza no instrumento.

Foto 5 Wandla Golden edit Gen 2

No tema que se segue, Reflexos, Carlos Barretto faz um longo e entusiasmante solo no contrabaixo, e mais uma vez o timbre do instrumento se destaca pela reprodução imaculada - até as respirações do contrabaixista, comuns para quem o costuma ouvir em disco, se ouvem perfeitamente, dando um toque extra de realismo à apresentação. Em Monkais, composição de Alexandre Frazão, suponho que um neologismo resultante da amálgama entre Monk e Beirais, o tão famoso PRaT (pace, rhythm and timing), essencial em temas mais energéticos, é excelente, com o Wandla e o Teac a transmitirem toda a energia deste animado tema, com transientes marcados e precisos, mas que nunca nos ferem, uma proeza que aqui atribuo também ao TEAC e que é um dos atributos que mais me agrada nos (bons) amplificadores Classe D.

É então hora de seguir para os Led Zeppellin e os seus primeiros quatro discos - originalmente intitulados I, II, III e IV, aqui ouvidos nas suas edições originais japonesas ripadas para FLAC, ainda hoje, de longe, a melhor masterização destes CDs (recomendo aos leitores que fujam, e rápido, das versões em «alta resolução» que infelizmente populam os serviços de streaming). Estas quatros obras de arte, seminais e essenciais para a história do rock, voltam a mostrar o excelente desempenho PRaT dos Ferrum, com a contagiante energia da banda britânica a ser tocada sem quaisquer restrições - também o palco, com os Led Zeppelin a serem das bandas mais pioneiras no uso de efeitos estéreo, foi apresentado num nível quiçá acima do custo destes produtos, o que foi particularmente evidente em Dazed and Confused, ao longo da jam psicadélica que surge a meio do tema. Em temas como Baby, I’m Gonna Leave You, ou Going to California, mais acústicos e intimistas, ouvi novamente um bom desempenho tímbrico, quer na voz quer nas guitarras acústicas.

Para terminar, dediquei-me a um disco de música erudita, nomeadamente Bartok: Concerto for Orchestra (RCA, 1956, edição SACD Analogue Productions convertida para FLAC 24 88.2, DR 14, Pico +0,11 dB, masterização de Ryan Smith), com a Orquestra de Chicago conduzida por Fritz Reiner (se não conhece estas edições em SACD e vinilo da Analogue Productions, fruto das colaborações desta orquestra com este maestro, recomenda-se que passe a conhecer, pelo valor musical e excepcional qualidade de som). A música do compositor húngaro é das mais originais e emocionalmente intensas do século volvido, misturando uma leve «atonalidade» típica da sua época com elementos folclóricos húngaros, uma daquelas ideia que em teoria tinha tudo para correr mal mas que na prática levou a alguma da música mais genial alguma vez escrita. Nas dinâmicas tive outra vez a sensação que tive acima, com a dupla Wandla e Hypsos a portar-se acima do esperado para a sua gama de preço, com excelente reproduções de todas as muitas e subtis alterações de volume que as peças vão apresentado. Os timbres, bonitos mas realistas, soaram-me particularmente tocantes nas cordas e no oboé, especialmente no terceiro andamento (Elegia). Eventualmente gostaria de ter ouvido um palco mais expansivo, uma orquestra deste calibre com uma gravação desta qualidade, acaba por exigir muito de um sistema - mas é por isso é que há produtos (bem) mais caros que este. Não significa isto que o desempenho de palco não seja muito bom, é sem dúvida excelente para a gama de preço, como colocação precisa dos instrumentos e boa separação entre os muitos instrumentos que vamos ouvindo, sendo possível ouvir sempre de forma clara todas as vozes que a complexa polifonia de Bartok nos traz, mas senti a espaços falta de maior profundidade e largura. (nota: como esta secção já estava escrita, achei que deveria ficar - com a introdução do DSP Gen 2 e das melhorias na função Spacial Enhancement, assunto sobre o qual discorro um pouco mais abaixo, este minha «queixa deixa de fazer sentido, com o palco do Wandla a crescer significativamente).

Foto 6 Wandla Golden edit Gen 2

Quanto aos modos exclusivos desta edição Golden Sound, sou muito fã da ausência de problemas com intersample overs, que deveria ser, mas não é, incluída em todos os conversores dado o número infindável de música que «clipa» a 0 dBFS. E a possibilidade de escolher entre dois níveis de ganho na saída, leva a que o Wandla seja muito mais versátil e se adapte muito melhor a diversos amplificadores de potência, como pude testemunhar na primeira pessoa. A ausência de MQA é também de saudar, na minha modesta opinião.

Já o DSP, outro elemento diferenciador deste Golden Sound (e a que os detentores de uma das outras edições do Wandla podem aceder, através de uma actualização paga), nas primeiras semanas de uso do produto achei os modos disponíveis, qualquer um dos três, relativamente subtis. Acabei por manter os três sempre ligados, mas não era, de todo, uma diferença do dia para a noite… Mas quis o destino que, como referi acima, durante o meu teste a este Wandla, saísse uma actualização (gratuita e apelidada de Gen 2) com muitas novidades a nível de DSP, o que me forçou a voltar a ouvir o produto do zero e a reescrever esta (e putras) secções do artigo. Mantemos então os mesmos três modos, Impact+ (para aumentar os graves), Tube Mode (para emular o som harmonioso da distorção das válvulas) e Spatial Enhacement (para aumentar a sensação de palco, com modo altifalantes e modo auscultadores). Então, o que mudou? Bom, temos muito mais opções dentro de cada modo… Vamos a elas.

No caso do Impact+, passamos a ter vários opções de aumento dos graves, com significativas diferenças de som entre elas, e a ter um regulador de nível para este efeito. Exactamente o mesmo aconteceu com o Tube Mode, muito mais opções (EL34, KT88, 300B, 2A3 e 7062) e um regulador de nível. Já no Spatial Enhancement, para além de passarmos a poder escolher entre auscultadores e altifalantes (excelente ideia), passamos também a ter um modo Transient Compensation, que ajuda, segundo a Ferrum, a melhorar a imagem sonora. Bom, e depois de tudo isto, notam-se diferenças? Sim, e muito significativas. Como escrevi acima, no modo original, apesar de achar que as funções DSP ajudavam o Wandla a soar melhor, a verdade é que achava esse efeito subtil. Ora, isso não é o caso com esta Gen 2, especialmente com as três funções ligadas, com as duas primeiras no máximo de nível e a última com o Transient Compensation activado, o Wandla passou de ser um bom DAC para ser um excelente DAC. O peso extra que o Impact+ traz aos graves, agora muito mais audível e regulável, é uma excelente ferramenta para compensar não apenas colunas ou salas com problemas nesse departamento, mas também gravações, tantas vezes deficientes nesta região. O Tube Mode acrescenta um pouco de cor a um produto até aí essencialmente neutro, mas sem exagerar, tendo acabado por me fixar nas EL34, e o que gostei mais foi mesmo o Spacial Enhancement - sem essa opção achei o palco do Wandla um pouco contido por vezes (como referi acima). Com essa opção ligada, o palco do Wandla cresce significativamente, o que foi particularmente evidente no disco de música erudita referido acima e nas escutas regulares que faço dos discos acústicos de estúdio do Segundo Quinteto de Miles Davis (E.S.P., Miles Smiles, Sorcerer e Nefertiti, por ordem cronológica), desta vez nas (excelentes) edições em CD (rip para FLAC) do início dos anos 90, apelidadas de Columbia Jazz Masterpieces (que têm a vantagem de evitar as não muito felizes remisturas de Mark Wilder no fim dos anos 90, que não correram muito bem, na minha opinião, e em que quase todas as edições modernas de discos do Miles Davis infelizmente se baseiam). São discos que conheço muito bem e que beneficiaram muito deste novo Spacial Enhancement - repetindo o que escrevi atrás, estas novas opções transformaram o Wandla GS num grande DAC. Importa ainda referir novamente que, como estas operações são inteligentemente realizadas a 64 bits, não se nota, de todo, nenhuma da degradação por vezes associada ao DSP.

Como pontos a melhorar, porque os há sempre, gostaria de ter visto uma entrada XLR, dada a natureza balanceada do circuito analógico (embora compreenda que provavelmente isso seria impossível num produto deste tamanho), e entradas digitais galvanicamente isoladas, especialmente a USB, especificação que se deveria tornar cada vez mais comum (aliás, no seu novo transporte digital, a Wandla isolou as saídas, o que mostra que sabe o quão importante esse factor é). E, como já escrevi acima, um remoto mais elegante e condizente não apenas com o preço mas com o som deste Wandla GS.

Num mundo em que os conversores são muito mais parecidos que diferentes, a Ferrum conseguiu neste Wandla Golden Sound apresentar diversas características que o distinguem da concorrência, e que é um sonho para geeks e tweakers. Com um conjunto filtros desenhados por uma das pessoas que mais sabe sobre assunto, e com bastantes detalhes muito úteis adicionados por Cameron Oatley, este Wandla é um conversor muito…muito interessante (e muito original), que justifica, e muito, uma audição atenta e muito informada (porque é um produto complexo). Para quem invista o tempo necessário para retirar deste conversor o seu melhor som, a recompensa sonora é inquestionável.

Foto 8 Wandla Golden edit Gen 2


AP-701

Quanto ao Teac, gostaria de deixar aqui algumas notas breves (que o artigo já vai longo) exclusivamente sobre este amplificador de potência. Já tinha tido antes a excelente oportunidade de testar dois produtos desta nova linha da marca japonesa e tinha ficado com uma excelente impressão - e este AP-701 reforçou fortemente essa minha impressão. Muito bonito, com um magnífico vuímetro laranja, o AP-701 conta com uma topologia duplo-mono ao longo de todo o circuito, e com uma potência de 125 W por canal a 8 ohm ou de 230 W por canal a 4 ohm, e um circuito balanceado (mas, atenção, apenas nas entradas, como confirmei junto da marca).

Foto 7 Wandla Golden edit Gen 2

É-me extremamente difícil classificar o som do AP-701, como tem sido de quase todos os Classe D que tenho experimentado - este amplificador é simplesmente o exponente máximo da neutralidade… Se em muitos Classe A/B modernos essa neutralidade é também muitas vezes imagem de marca, acaba quase sempre por haver uma pequena acentuação ou atenuação dos transientes ou de alguma região de frequências. Não é o caso aqui, aliás, os amplificadores Classe D têm aliás sido os meus preferidos na reprodução de transientes e o AP-701 não é excepção - não há aveludamentos nem atenuações, o que confere um profundo realismo e rapidez ao som, mas também não há acentuações, como tantas vezes acontece, o que faz com que audições prolongadas (existem outras?) não introduzam nenhuma fadiga, apesar do ataque rápido e imediato dos instrumentos. Para além disso, este AP-701 tem uma capacidade de agarrar e definir os graves, como de alimentar impedâncias mais baixas, provavelmente imbatível. Sei que ainda há por aí muitos (injustos) preconceitos com os amplificadores Classe D, mas recomendo que os abandonem e que oiçam com seriedade estes amplificadores - são muito diferentes das válvulas ou dos Classe A, mas isso não significa que não soem muito bem (fiquei, aliás, curioso para ouvir um Classe D ainda mais de topo, e balanceado ao longo de todo o circuito, como o Ossetra da Mola Mola). De um ponto de vista de relação qualidade / preço, a Classe D é neste momento imbatível no mundo da alta-fidelidade.

Foto 8 Wandla Golden edit Gen 2

Para além de tudo isto, tive também a oportunidade de ouvir o Teac com a dupla T8 e Z10 da Eversolo (teste já publicado), e o AP-701 fez com estes produtos uma das melhores combinações que já ouvi no meu sistema - o que mostra bem que a neutralidade destes Classe D os torna muito versáteis (gostaria apenas de ter visto um selector de ganho, muito comum em amplificadores desta topologia, e que garantiria uma ainda maior versatilidade na escolha de préamplificador para emparelhamento). Em resumo, tal como os Wandla, também este AP-701 mais do justifica uma ida à Ajasom para uma sessão de escuta muito atenta (e despida de preconceitos), e em que ouvirá uma das melhores relações watts / euros do mercado.


Wandla Ferrum Golden Sound Gen 2 + Hypsos/Teac AP701

Preços:
Wandla Ferrum Golden Sound Gen 2   3295 €
Ferrum Hypsos                                     1195 €                     
Teac AP701                                           2999 €                   
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