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Teac VRDS-701

Teac VRDS-701

Leonel Garcia Marques

15 fevereiro 2026

A mecânica do silêncio é um dos maiores argumentos do novo leitor de CD/DAC da TEAC.


Audições


Liguei o VRDS-701 ao meu amplificador Rotel RA1592 e às colunas B&W705 S2. E, para experimentar o DAC, liguei-o USB a um streamer Aries mini. Para testar a saída de auscultadores usei uns Hifiman Arya.
O funcionamento é intuitivo, com menus claros e uma resposta rápida aos comandos. O leitor transmite sempre a sensação de estar “sob controlo”, sem ruídos mecânicos intrusivos ou comportamentos erráticos durante a leitura dos discos.

Foto 4 Teac VRDS-701



CD como fonte

Foi naturalmente na reprodução de CD que concentrei a maior parte das sessões de escuta. O carácter sonoro do VRDS-701 pode ser resumido da seguinte forma: excelente controlo, definição muito rica em detalhe e excelente separação estéreo. Os graves apresentam articulação, rapidez e precisão tonal. A gama média é natural, informativa e musical e é talvez o ponto mais forte deste leitor. As vozes apresentam-se naturais, bem recortadas no espaço e livres de coloração artificial. Os instrumentos acústicos beneficiam de uma reprodução limpa e coerente, com boa restituição de microdinâmicas e das variações tímbricas mais subtis. Os agudos revelaram-se cristalinos, com detalhe e extensão sem estridências ou asperezas. Em especial, os pratos e harmónicos mais elevados surgem com boa extensão e decaimento natural. Abaixo desenvolvo estes aspetos quando descrever a minha experiência com a playlist.

DAC USB e funções digitais

Utilizado como DAC externo, o VRDS-701 manteve a mesma assinatura sonora: controlo, coerência e ausência de artefactos. A compatibilidade com ficheiros de alta resolução e DSD permite integrá-lo facilmente num sistema híbrido, onde o CD convive com bibliotecas digitais. A possibilidade de selecionar modos de transmissão USB e opções de upsampling oferece margem para otimização conforme o sistema e a fonte. De notar de que não o liguei a um computador como indicado pelo manual e a resolução DSD máxima que o VRDS-701 aceitou (pelo Aries-Mini) foi de DSD128.

Foto 5 Teac VRDS-701



Amplificador de auscultadores

O amplificador de auscultadores integrado revelou-se melhor do que o habitual nesta categoria. Com os Arya (que são auscultadores planar magnéticos de boa eficiência), o VRDS-701 apresentou controlo, boa dinâmica e um nível de ruído muito baixo. Não substitui um amplificador dedicado de topo, mas é mais do que suficiente para integrar um sistema sério de escuta pessoal, mantendo a coerência sonora do conjunto.


                                        Playlist (CDs)
Accademia Bizantina (dir. O. Dantone), Baroque Anatomy (Bach, Telemann e CPE Bach) – CD HDB Sonus
Maria Viotti & Orchestre de l’Opéra Royal (dir. A. Gabetta), Prime Donne (Vivaldi, Porpora & Porta) – CD Chateau de Versailles
Motian & More, Gratitude – CD Phonogram Unit
Out of / Into, Motion II – CD Blue Note
Lucinda Williams, World’s Gone Wrong – CD Highway 20
Cara de Espelho, B – CD Rastilho


Começando pela clássica. Encetemos a audição com a nova gravação da Accademia Bizantina, magnificamente dirigida por Ottavio Dantone. É uma excelente gravação de CPE Bach, do seu pai (JS Bach) e do seu padrinho (Telemann). As obras apresentam uma grande subtileza dinâmica e o VRDS-701 é sempre musical, deixando os instrumentos respirar num palco sonoro vasto, mas com grande precisão tonal e rítmica. Depois passamos a Maria Viotti, uma espantosa alto, com um leque de recursos vocais apreciáveis, indispensáveis para a interpretação da ópera e da alma barroca. Os agudos mostraram-se perfeitamente à altura do virtuosismo e expressividade de Viotti, mostrando também um controlo absoluto dos tutti e dos ziguezagues muito vivos e teatrais da orquestra.
No jazz, comecemos pela banda portuguesa Motion & More de Hernâni Faustino (contrabaixo), José Lencastre (tenor), Pedro Branco (guitarra) e João Sousa (bateria) numa gravação ao vivo de homenagem ao grande Paul Motian. As composições recordam-nos das composições, da liberdade e do lirismo do homenageado. Grande diálogo entre Lencastre e Branco, excelente suporte rítmico de Faustino e Sousa. A gravação para mim é mais do que íntima porque foi ali ao pé de casa (no excelente SMUP). Os timbres foram completamente preservados pelo VRDS-701, sendo a reprodução extremamente musical e lírica. Depois passamos para os Out of / Into e a sua segunda gravação para a Blue Note, Motion II. Os Out of / Into são uma banda que conjuga alguns dos novos talentos do jazz como Immanuel Wilkins (alto) e Gerald Clayton (piano). Gravação excelente, destacando-se a forma como o VRDS-701 conseguiu acompanhar, com realismo, desde o ataque até ao decaimento, o percurso das notas emitidas por Wilkins e pelo vibrafone de Joel Ross.

Foto 6 Teac VRDS-701

Finalmente, o folk-rock. Iniciemos com o pessimismo genial de Lucinda Williams com o seu World’s Gone Wrong. Voz rouca, dorida, cética, verdadeira. O VRDS-701 captou otimamente a natureza única e o grão da voz de Williams e a tempestade eléctrica muito bluesy (e o desespero), que varre, de quando em vez, a gravação. Terminamos com a segunda gravação dos Caras de Espelho, superbanda portuguesa de Pedro da Silva Martins. As letras são excelentes, os instrumentos acústicos “inventados” por Carlos Ferreira são sempre surpreendentes e a voz de Maria Antónia Marques nunca desilude. O VRDS-701 alcança uma excelente separação dos instrumentos, a preservação dos timbres e exibe novamente a capacidade de seguir as notas do seu começo até ao seu ocaso (o que ajuda imenso a compreender as particularidades dos instrumentos de Guerreiro, das flautas de Gonçalo Marques e das guitarras de Luis J. Martins).

Foto 7 Teac VRDS-701

Conclusão

O VRDS-701 é uma proposta para levar muito a sério. Não é dos mais baratos, mas também não tem um preço estratosférico (nada como, por exemplo, o Grandioso, da Esoteric). Este é um dos raros casos em que não tenho nada de negativo a apontar excepto, talvez, a ausência de compatibilidade com o formato SACD, emulando os leitores da Esoteric, mas claro, há que ter em conta que as duas marcas se posicionam em campos bem diversos. Este é, pura e simplesmente, um dos melhores leitores de CDs que já testei. Uma alternativa que pode ser igualmente muito interessante, caso já possua um DAC de qualidade, e que custa cerca de menos 500 €, é o TEAC VRDS-701T que exclui o DAC e que funciona só como transporte.


Leitor de CDs Teac VRDS-701
Preço       2 499 €
Contacto Ajasom

Ajasom marcas 25-02-23
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Conteúdo

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