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Rotel Michi Q5

Rotel Michi Q5

João Zeferino

1 fevereiro 2026

Maturidade digital


Audições

O Michi Q5 foi integrado no meu sistema residente que contempla o amplificador Orpheus Absolute A Four I200 e o streamer Aurender A20. As colunas foram as Marten Parker Trio e a cablagem incluiu os cabos Kimber Select KS-1121 e Audioquest Carbon USB nas interligações e, nas colunas, os Kimber Select KS-3033.

Antes de passar às impressões de audição queria deixar uma ressalva para algumas idiossincrasias do Michi Q5 que podem influenciar potenciais clientes dependendo do respectivo perfil de utilizador.
Uma dessas idiossincrasias prende-se com a falta de um teclado numérico de acesso directo às faixas do CD. Se no leitor propriamente dito não é de estranhar essa ausência, já no controlo remoto não é compreensível a opção. Basta pensar que, por exemplo, para aceder à faixa 15 de um CD, é necessário premir o botão de faixa seguinte quinze vezes até chegar à faixa pretendia. A sério Rotel? No século XXI?

Foto 5 Rotel Michi Q5

Outra função que prima pela ausência é a pesquisa rápida na faixa. Esta é uma funcionalidade que poderá fazer mais falta aos ouvintes de música clássica onde é comum encontrar discos com faixas de 10, 15 ou mesmo 30 minutos e onde podemos ter necessidade de encontrar determinada passagem musical utilizando a pesquisa rápida na faixa, algo impossível no Q5 onde apenas é possível passar à faixa seguinte ou anterior, mas não a um ponto a meio de uma faixa.

Passando agora ao que de melhor o Q5 tem para oferecer. As audições foram realizadas com discos CD e também com o streamer Aurender A20 a fornecer o sinal das plataformas de streaming, via USB, ao conversor D/A do Michi Q5.

                      Lista de obras escutadas durante as audições


• R. Strauss, Assim falou Zarathustra, Orq. Fil. Berlim, Herbert von Karajan, CD DG
• Carl Orff, Carmina Burana, Coro e orq. Sinf. Atlanta, Robert Shaw; Qobuz e CD Telarc
• G. Mahler, Sinfonia nº 1, Orq. Fil. Berlim, Bernard Haitink, Qobuz
• Sergei Prokofiev, Conc. p/Piano e Orq. Nº 3, Alexander Toradze, Orq.Kirov Valery Gergiev, CD Philips
• S. Rachmaninov, Danças Sinfónicas, Orq. Minnesota, Eiji Oue, Qobuz
• Patricia Barber, Modern Cool, MQA Studio 24 bit/192 kHz, Qobuz
• Dire Straits, Brothers in Arms, CD Vertigo
• Dulce Pontes, Lágrimas, CD Movieplay Portuguesa
• Eddy Louiss, Sang Mêlé, CD Nocturne



Comecei as audições com a cantata cénica Carmina Burana, de Carl Orff, uma gravação com o Coro e Orquestra Sinfónica de Atlanta, com direcção de Robert Shaw, numa excelente gravação original Telarc, que foi editada em CD, depois em SACD e em variantes do formato CD como Ultra-HD CD, estando agora disponível nas plataformas Qobuz e Tidal. Foi também uma obra que me permitiu comparar as versões CD com o streaming, dado que faz parte da minha discoteca tanto em CD como em SACD.

Foto 6 Rotel Michi Q5

O Rotel Michi Q5 revelou logo às primeiras audições ser não apenas um excelente leitor de CD’s, mas também um óptimo conversor D/A, o qual poderá realizar o potencial de um streamer de qualidade que se lhe queira ligar. Uma sonoridade atmosférica, muito bem focada e transparente, que confere à reprodução musical uma visão limpa da estrutura das obras musicais, as quais surgem clarividentes e fáceis de seguir nos seus diversos componentes.

A reprodução da gama média, fundamental para uma correcta percepção das vozes e onde se encontra a essência de toda a música, principalmente a de cariz clássico e acústico, surgiu sempre muito aberta, denotando uma transparência de elevado nível e uma tonalidade de exemplar neutralidade. A audição da Carmina Burana provou isso mesmo, com uma reprodução de timbres rica de cambiantes e uma fluidez notável, sempre com a dinâmica e o impacto puro nos grandes clímaxes sinfónicos que esperamos das melhores fontes digitais.

Se a gama média é um exemplo de transparência, arejamento e suavidade, os registos agudos soam sempre límpidos, com uma resolução notável, mas sem qualquer indício de exibicionismo gratuito, podendo até, com algumas gravações, parecerem ligeiramente retraídos, o que pode conferir uma tonalidade algo sombria à reprodução musical, principalmente com gravações que exibam um pendor semelhante.

Foto 7 Rotel Michi Q5

Com o Concerto nº 3 para piano e orquestra de Prokofiev, numa excelente gravação CD da Philips, mesmo perante o carácter fortemente rítmico da música de Prokofiev, o Michi Q5 não revelou quaisquer dificuldades em reproduzir a intensa marcação rítmica, sem perder, contudo, a liquidez e a soltura necessárias à apreciação do concerto como um todo. O piano soa harmonicamente rico e intenso, conjugando naturalmente a imponência e tensão no registo grave com o tilintar acutilante das notas mais agudas.

O registo grave caracteriza-se por um equilíbrio notável entre extensão e tensão, exibe sempre uma assinalável presença, mas não se impõe exageradamente, desempenha com competência o papel de alicerce da música, mas não interfere com o desenvolvimento do discurso musical. Para além disso, apresenta as mesmas qualidades tonais da gama média com a qual se funde numa teia sonora de notável uniformidade. Quando chamado a reproduzir os grandes timbalões da Sinfonia de Mahler ou a percussão no tema Sang Mêlé não se intimidou e apresentou-se incrivelmente poderoso e desenvolto, para logo de seguida regressar à função de alicerce da obra musical, sempre presente e bem definido, mas sem chamar ostensivamente as atenções sobre si.

Foto 8 Rotel Michi Q5

O Michi Q5 também reconheceu sem qualquer dificuldade o ficheiro com codificação MQA Studio 24 bit / 192 kHz, do álbum Modern Cool da Patricia Barber disponível na plataforma Qobuz, o qual soou particularmente impressionante, dinâmico, intenso, com a voz a denotar uma presença incrível e o efectivo instrumental a surgir com um poder, definição e uma separação entre instrumentos como raramente temos a oportunidade de experimentar.


Conclusão


Não há dúvida que o Michi Q5 dá continuidade ao desiderato da Rotel em oferecer produtos de nível de topo a um preço realista. Em termos de som o Michi Q5 demonstra bem uma maturidade digital que ainda há não muito tempo seria exclusiva de produtos a custarem três ou quatro vezes mais. Apesar das reservas operacionais que lhe apontei, tendo em conta a excelente qualidade de construção e o apelo estético, bem como a performance sonora quer como leitor de CD’s quer como conversor D/A, são factores que tornam o Michi Q5 uma fácil recomendação.

Foto 9 Rotel Michi Q5


                    Especificações técnicas


THD + Noise   –    Entradas CD/Coaxial/Optica/PC-USB: menor que 0,0006%
IMD        –    menor que 0,002%
Resposta em frequência– 20 Hz a 20 kHz (+0 dB, -0,1 dB) / 10 Hz a 70 kHz (+0 dB, -3 dB)
Equilíbrio entre canais± 0,5 dB
Separação entre canais– maior que 104 dB @ 10k Hz
Relação Sinal/Ruído– maior que 115 dB (IHF A-Weighted)
Gama dinâmica  –  maior que 99 dB
Sensibilidade de entrada – 0 dBfs / 75 ohms
Saída CD    –       16 bits / 44,1k Hz, 0 dBFS
Nível da saída analógica– Não balanceada (RCA) 2,3 V / 100 ohms
Balanceada (XLR) 4,9 V / 4K ohms
Conversor D/A    –    ESS ES9028PRO DAC
Entradas Coaxial/Óptica SPDIF  –  LPCM (até 24-bit / 192 kHz)
Entrada PC-USB– USB Audio Class 2.0 (até 32 bits/ 384 kHz)
DSD Nativo (até 4X, 11,2M) e DoP (até 2X, 5,6M)
MQA e MQA Studio (até 24 bits / 384 kHz)
Roon Tested
Dimensões– 485 x 150x 452 mm (LxAxC)
Peso– 23,5 kg
Preço– 5 999 €
Contacto    Sarte Audio