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Goldmund e Stenheim na Ultimate

Goldmund e Stenheim na Ultimate

Jorge Gonçalves

20 junho 2026

Um sarau musical em grande estilo, com matinée e soirée.


No início de Abril deste ano a Ultimate apresentou aos entusiastas nacionais a marca suíça Goldmund, um nome com uma tradição de quase cinquenta anos no mundo do áudio de alta qualidade, adquirida por Michel Reverchon em 1981, três anos depois da sua fundação, e que teve como produto icónico nos anos 80 o gira-discos Studio, equipado com o braço tangencial T3. Michel Reverchon faleceu recentemente, em Outubro de 2025, mas deixou um importante legado que fará a marca perdurar por um bom número de anos, conforme pude constatar durante as minhas conversas com Rodolphe Boulanger, director de vendas da Goldmund que se deslocou a Portugal especificamente para acompanhar o evento que em boa hora, a Ultimate Audio resolveu organizar para promover a marca, em conjunto com as colunas da Stenheim neste sábado bem quente do mês de Junho.

Foto 1 Ultimate_Goldmund

Christophe Savioz elogiando as qualidades das imponentes Reference Ultime Two

Da parte da Stenheim esteve presente Christophe Savioz, director comercial, que fez uma prelecção aos presentes na qual abordou as colunas Reference Ultime Two, as mais compactas da gama Reference. Como é apanágio da marca, as caixas são fabricadas utilizando painéis de alumínio obtidos a partir de blocos sólidos trabalhados em tornos CNC, o que lhes confere um notável nível de rigidez. Cada um dos altifalantes está contido numa caixa individual, minimizando eventuais interferências mútuas. Destaca-se em especial o recurso a duas unidades com cones de 12 polegadas (30 cm), o que permite estender a resposta nos graves até aos 25 Hz. As Reference Two utilizam igualmente dois altifalantes de médios, no meio dos quais e mais ou menos a meia altura da coluna se encontra o tweeter, definindo-se assim uma configuração d’Appolito completa. O peso total de cada coluna, incluindo uma base desenvolvida especialmente, atinge os 231 kg e os acabamentos em pintura metalizada podem ser em cinzento claro ou mais escuro.

Foto 2 Ultimate_Goldmund

Os equipamentos estavam distribuídos por três salas e na primeira em que estive tínhamos um sistema activo Goldmund composto pelas colunas Goldmund Asteria e pelo streamer Eidos. As colunas tinham chegado apenas dois dias antes e, como tal, precisariam de mais algum tempo de rodagem o que se notou um pouco mais na primeira faixa que ouvi, River of Tears, de Eric Clapton. O nível de audição foi depois ligeiramente acertado e mais à frente as coisas estavam muito melhor com a faixa Liberty, de Annette Askvik, em que gostei especial dos agudos, que eram bem bonitos e extensos.

Foto 3 Ultimate_Goldmund

Passei então para a segunda sala, onde tínhamos o amplificador integrado Goldmund Telos 690 a alimentar as colunas Kroma Jovita, sendo a fonte o streamer Aurender N-50. Do que ouvi destaco as faixas Time After Time (Live), de Miles Davis, Ghost Town, de Derrin Nauendorf, e ainda Saint James Infirmary Blues, interpretada por Jon Batiste. Gostei do som calmo, tranquilo, com uma presença quase palpável dos instrumentos. Globalmente diria que tínhamos ali uma combinação que parecia escolhida a dedo – a electrónica e as colunas e as colunas estavam como Deus e os anjos. Tanto que ainda me deixei estar mais um pouco a ouvir Cecilia Bartoli a cantar maviosamente Sposa Som Disprezzata.

Foto 5 Ultimate_Goldmund

E o melhor ficou para o fim! Na sala de maiores dimensões da Ultimate Lisboa tínhamos as imponentes colunas Stenheim Ultime Two SX, ladeadas por dois igualmente imponentes monoblocos Goldmund Telos 4800 (cada um pode debitar 1050 W a 8 ohm e 2100 W a 4 ohm!). O préamplificador era o Goldmund Mimesis Reference, a fonte digital assentava no Master Fidelity Nadac Clock e DAC e no Taiko Olympus Streamer e a cablagem pertencia à linha L’Esprit, da francesa Esprit.

Foto 4 Ultimate_Goldmund

E começo por mencionar a ultra conhecida Garota de Ipanema, interpretada por Rosa Passos: que bela voz a de Rosa - expressiva, sedosa, acariciante, o amor estava no ar. O ambiente estava bom e veio então Joe Morello, a interpretar um solo de bateria de Take Five, e que energia estava saindo desta bateria! Tudo mais calmo com Stand by Me, por Dominique Fils-Aimé, mas os contrastes continuaram com a entrada de Til Fader Vor At Ende, numa interpretação de Anne-Lise Berntsen & Nils Henrik Asheim - que escala dinâmica e que poder vocal. E voltou a emoção com a inevitável faixa Ó Gente da Minha Terra, gravada ao vivo na Torre de Belém e que contém a bem conhecida pausa em que Mariza pára de cantar por lhe chegarem as lágrimas olhos e os músicos entretanto improvisam para lhe dar tempo para se acalmar. Tudo isto e mais algumas outras faixas foram o suficiente para destacar a grande naturalidade do controlo dos amplificadores sobre as colunas: não havia excesso de segurança, tudo fluía como devia fluir, de tal modo que nos deixava ouvir tudo e cada coisa na proporção correcta quer em termos de dinâmica quer no que se refere à espacialidade, ou seja, ao posicionamento exacto dos intérpretes da música.

Foto 6 Ultimate_Goldmund

Foto do grupo – da esquerda para a direita Miguel Carvalho, um dos sócios da Ultimate; Christophe Savioz, da Stenheim; Rodolphe Boulanger, da Goldmund; António Domingos, sócio da Ultimate, e Jorge Gonçalves.


Há que louvar mais esta excelente iniciativa da Ultimate Audio e foi por isso mesmo que se fez um brinde a toda a equipa, reconhecendo o empenho e dedicação colocados em torno da promoção da reprodução da música no seu expoente máximo e que fez levar às suas instalações um vasto grupo de entusiastas. A boa música é sempre bem-vinda e quando ela atinge níveis de reprodução deste jaez só temos de prestar homenagem a quem tal nos proporciona.