
Uma enorme versatilidade sonora, sem grandes preferências por géneros específicos.
Nos últimos anos, quer por iniciativas das próprias lojas, quer pelo interregno de seis anos sem um show grande, têm sido comuns as sessões feitas em loja, dando assim oportunidade aos clientes e audiófilos de desfrutarem de um sistema de topo por umas breves horas. Foi isso que se passou nos dias 8 e 9 de Maio na Exaudio, com a apresentação de um sistema maioritariamente composto por produtos da TAD, marca japonesa de (justo) renome (cujo acrónimo significa Technical Audio Devices).

Desloquei-me então às bonitas instalações da Exaudio na tarde de sexta-feira, onde pude desfrutar de uma tarde a ouvir este sistema, sobre o qual escreverei algumas linhas em seguida. O sistema era constituído por um transporte digital da Lumin (uma marca recente na Exaudio, e que me tem sempre surpreendido pela excelente qualidade de som), o U2X, ligado por USB a um DAC da TAD, o D1000TX (que lê também SACD e usa chips vintage da Burr-Brown), que por sua vez ligava por RCA ao pré-amplificador C1000 (duplo mono e completamente balanceado, com um controle de volume R2R), também da TAD, que ligava por XLR ao amplificador de potência M1000 (Classe D e também duplo mono e completamente balanceado), mais uma vez da TAD. As colunas eram as (lindíssimas) monitoras CE1TX, ligadas com cabos de coluna também da marca japonesa - sendo que a restante cablagem esteve acima de tudo a cargo da ZenSati, linha Zorro. O transformador de isolamento era o Plixir Elite BAC 3000 MK II, que, como todos os produtos desta marca, é completamente balanceado internamente.
Falando um pouco mais em detalhe sobre as CE1TX, trata-se de umas «monitoras», apenas no sentido que não são colunas de chão, porque dado o tamanho e o peso (30 kg cada uma), é difícil falar em «monitoras». Os altifalantes concêntricos de médios e agudos funcionam de 250 Hz a 100 kHz, com um tweeter em berílio, o que costuma dar (e dá) excelentes resultados. O altifalante de graves, com sete polegadas, trata das frequências abaixo dos 250 Hz, e graças a algumas tecnologias inovadoras de pórticos, atinge os 34 Hz, não tendo a TAD explicado a quantos +/- dB este valor se refere. Com uma sensibilidade de 85 dB e uma impedância nominal de 4 ohm, estas TAD requerem certamente muito «sumo» para revelarem todo o seu potencial.

Feitas as apresentações, farei então algumas breves notas musicais, que não serão (nem poderiam ser) muito extensas. Como, infelizmente, não houve muita adesão nesta tarde de sexta-feira, pude desfrutar durante algum tempo do sistema só para mim e tive a oportunidade de, ligando uma pen ao Lumin, ouvir alguns dos discos que conheço melhor, nas suas melhores masterizações. Ficam então algumas notas:
1) Gostei muito da sensação de total escuridão do palco, com um som completamente «limpo» - a reverberação era a presente nas gravações e nada mais. Atribuo esta característica não apenas à competência dos engenheiros da TAD, claro, mas também aos circuitos completamente balanceados do pré-amplificador e do amplificador. Sei que muitas pessoas contestam a utilidade destes circuitos, alegando que apenas introduzem complexidade desnecessária, dado o número extra de componentes necessários, mas tenho tido quase sempre essa experiência com sistemas completamente balanceados: o palco fica muito mais escuro e o excesso de ar, ou reverberação, desaparece.
2) Os timbres, de todos os instrumentos, eram absolutamente exemplares, com particular destaque para a voz de Chet Baker em But Not for Me, e também para a sua trompete, e de João Gilberto em Doralice.

3) A sensação de imagem central foi também marcante - por vezes alguns discos mono podem soar algo congestionados, mas neste caso, isso não aconteceu de todo, em vários discos de Red Garland e Frank Sinatra. Provei aqui mais uma vez que as colunas concêntricas (com altifalante de médios e tweeter “num só”), quando bem desenhadas, são de uma coerência quase inigualável, ficando a sensação de que ouvimos um só altifalante full-range.
4) Nos momentos que passei fora do jazz, como no soul de Sam Cooke, entre outros, gostei da versatilidade destes TAD, que me pareceram não ter grandes preferências por géneros específicos, mantendo sempre uma marca sonora coerente.
5) Impressionou-me ainda o excelente impacto do contrabaixo de Scott la Faro em Waltz for Debby, disco clássico de Bill Evans, aqui na versão SACD SHM - umas das melhores reproduções que já ouvi, de um disco que conheço muito bem.
6) A separação instrumental em Blues and the Abstract Truth, na magnífica edição em SACD da Analogue Productions, com cada um dos sopros a ser tocado com precisão cirúrgica, foi também uma característica que se destacou.
7) Os agudos, em geral, foram de uma combinação notável entre detalhe, extensão e ausência de agressividade - já ouvi em outros tweeters em berílio, e percebo porque tantas marcas high-end se viram para este material.

Ficaram então aqui algumas breves notas sobre este sistema TAD (e alguns extras), uma marca que já tinha ouvido na Exaudio, e brevemente no Hi-Fi Show deste ano, mas que pude agora desfrutar com outro cuidado - o que mostra que não há nada como uma boa apresentação em loja, tendo sido possível aqui notar muitos pormenores que não consegui notar no show. Tive apenas pena que não tivesse havido maior adesão, porque este sistema merecia ter sido ouvido por mais pessoas - não é todos os dias que podemos desfrutar de um sistema TAD, sem quaisquer compromissos… Creio que o sistema ficará montado na loja e, para quem possa, parece-me um excelente programa ir dar um passeio a Cascais e aproveitar para passar na Exaudio, e desfrutar um pouco deste sistema. Não é barato, mas o que ouvi pareceu-me sem dúvida justificar o preço pedido.