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Ultimate Sessions no Palácio

Ultimate Sessions no Palácio

Miguel Marques

17 abril 2026

O sistema mais realista que ouvi até hoje, com um grau de transparência que não sabia sequer ser possível.


Pelo segundo ano consecutivo, coube-me a mim a tarefa de cobrir o evento da Ultimate Audio no Hotel Palácio no Estoril, que aconteceu em paralelo com o Hi-Fi Show, no passado fim-de-semana. O ano passado a Ultimate tinha, como escrevi na época, e reli agora, colocado a barra altíssima, com um sistema que ainda hoje recordo com frequência e que tocava de forma sublime. Se há um ano me desloquei ao Estoril sem nenhuma expectativa, este ano essa expectativa era inevitável - conseguiria a Ultimate, com marcas diferentes, repetir ou até superar a performance sonora do ano passado? Durante três dias pude passar algumas horas de cada dia a ouvir atentamente o que por lá se passou, e que tentarei descrever nas linhas que se seguem.

Comecemos então pelo sistema: umas (lindíssimas) colunas Marten Coltrane Quintet Statement, amplificação (novíssima) da Stellavox, um pré-amplificador Boulder 1110, um servidor Aurender N50 (que esteve sempre em modo streamer), DAC e relógio externo da Master Fidelity (Nadac D e Nadac C, respectivamente), cabos Ansuz Gold Signature, uma rack da Neo HighEnd (Quattron Reference), um condicionador de corrente da portuguesa Audiotricity, o Stheno Conditioner, um router e um filtro de rede da Tayko e, por fim, seis filtros de corrente para ligar às tomadas da sala, os novíssimos Arya Kyoon, que estavam em teste pela Ultimate, a pedido da própria marca.

Foto 1 Ultimate Palacio

Não creio fazer sentido estar a descrever todos estes produtos exaustivamente, mas creio que se justificam algumas linhas sobre alguns deles. Começando pelas colunas, da prestigiada marca sueca Marten, umas Coltrane Quintet Statement (nome curioso, que assumo derivar dos cinco altifalantes, e que ainda hoje estranho ouvir dado que John Coltrane se destacou essencialmente pelos seu quarteto), umas colunas muito bonitas que contam com um tweeter de uma polegada com cúpula em diamante (6 kHz a 60 kHz), um altifalante de médios de três polegadas em berílio (1 kHz a 6 kHz), um altifalante para os médios-graves de sete polegadas em fibra de carbono (170 Hz a 1 kHz) e dois woofers de 10 polegadas em alumínio (18 Hz a 170 Hz). Construída em fibra de carbono, esta coluna conta com vários acabamentos possíveis, pés da IsoAcoustics, sendo ainda importante destacar que esta versão Statement se destaca por usar cabos Jorma de uma gama mais elevada e por usar componentes melhorados no crossover – com uma topologia de primeira ordem, acrescente-se, uma escolha relativamente incomum mas que traz algumas vantagens, se for bem implementada, e que opera nos 170 Hz, 1 kHz e 6 kHz, o que sugere que o crossover não actua entre o altifalante de médios e o tweeter. Para concluir, estas Coltrane contam com 89 dB de sensibilidade, uma impedância nominal de 4 ohm e mínima de 3 ohm, o que sugere que não será necessário um amplificador monumental para as alimentar, embora umas colunas desta classe mereçam, claro, um amplificador à sua medida (como o que se segue). Em baixo, deixo um link para um vídeo do YouTube em que se dá a conhecer melhor a marca através de uma entrevista com Martin Dunhof.

Entrevista com Martin Dunhof

Seguimos agora para a Stellavox, uma marca suíça que regressou muito recentemente ao activo e que é agora representada pela Ultimate Audio. Neste dias podemos ouvir dois IDEM, monoblocos Classe A/B, sem feedback, completamente balanceado, e que debitam 200w a 8 ohms, 400w a 4 ohms 2 700 W a 2 ohm, o que significa que é uma excelente máquina para colunas com impedâncias mais difíceis ou menor sensibilidade. Ainda este ano chegarão um amplificador de potência estéreo, um pré-amplificador, um DAC e um prévio de fono, que também irão estar disponíveis na Ultimate Audio.

Foto 2 Ultimate Palacio

Para concluir, houve a oportunidade de conhecer uma marca portuguesa, a Audiotricity, com Nuno Silva a descrever o condicionar de corrente ali presente (é sempre bom apoiarmos iniciativas nacionais), e a Master Fidelity, uma empresa canadiana que vem da suíça Merging, e cujos DACs operam em modo DSD (1 bit), com algumas tecnologias proprietárias da marca - sem me querer adiantar ao texto que se segue, em geral acho os DACs DSD um pouco suaves demais, e isso não aconteceu com estes produtos da Master Fidelity, com transientes muito presentes, o que me surpreendeu. Para além do DAC e do relógio, que pudemos ouvir neste sistema, a marca conta também com um pré-amplificador analógico. Sobre os filtros de corrente Arya Kyoon, ainda há muito pouca informação, mas mostra bem o nível de detalhe até ao qual a Ultimate foi, ao querer filtrar as próprias tomadas da sala.

Foto 3 Ultimate Palacio

Feitas algumas das apresentações, o que dizer as várias horas que passei nesta sala da Ultimate? Fui ler o que escrevi o ano passado e não queria estar a repetir-me em demasia, podendo dar a impressão de insinceridade da minha parte - à época, aquele sistema foi do facto o melhor que já tinha ouvido, e ficou-me profundamente marcado na memória emocional. Não querendo utilizar a mesma formulação, este ano diria que este sistema é o mais realista que ouvi até hoje, com um grau de transparência que não sabia sequer ser possível - não foi um sistema fácil de afinar, segundo o Miguel Carvalho, da Ultimate Audio, mas o resultado final era de cortar a respiração, tendo inclusive notado diferenças significativas de sexta para sábado, e ainda mais algumas, menos evidentes, de sábado para domingo, dia em que levei um amigo meu ao evento, que corroborou todas as minhas impressões.

Saltou imediatamente ao ouvido o impressionante poder dos graves que estas Marten reproduzem - são 18 Hz, mas note-se, a +/- 2 dB, não os 6 dB que tantas marcas usam para inflacionar as especificações. O grave é de um corpo e presença quase assustadora mas sem nunca perder definição, controlo ou tomar conta do espectro de frequências - aliás, a única coisa pior que falta de graves num sistema é mesmo graves demais. Isto foi particularmente evidente em temas como Jean Pierre, de Miles Davis (cujo nome deverá vir do filho de Frances Taylor, uma das mulheres de Miles), tocado por Marcus Miller, baixista que fazia parte do grupo que gravou originalmente este tema, em We Want Miles - com os slaps do baixo eléctrico a encherem a sala com um peso e uma profundidade inexcedíveis (nem o maior basshead deste planeta usaria subwoofers com um sistema destes). Impressionado com esta prestação, fiquei surpreendido ao deparar-me com uma parte traseira das colunas totalmente selada, tendo-me sido explicado que o pórtico desta coluna se localiza na parte de baixo da mesma, tecnologia com que tinha tido pouco ou quase nenhum contacto anteriormente. Ainda nesta faixa, foi também impressionante o realismo do rimshot da tarola, um elemento rítmico cujo timbre é particularmente difícil de reproduzir. Outros bons exemplos de graves cavernosos foram a Tocata e Fuga em Ré Menor (que hoje em dia muitos consideram não ter sido composta por Bach), a versão do clássico Summertime (George Gerswhin), de Patricia Barber, com o contrabaixo de Marc Johnson a brilhar a um nível muito alto, não apenas em extensão mas também em timbre, e o poder destruidor dos Tool, em Invincible. Sobre esta última faixa, provavelmente uma estreia mundial de um sistema deste calibre a reproduzir Tool, sentimo-nos transportados para um gigantesco estádio, tal é a massa sonora que o sistema produzir - e onde se provou que as capacidades de SPL deste conjunto eram aparentemente infinitas, não se sentindo qualquer esforço nesta reprodução.

Foto 4 Ultimate Palacio

Outra característica marcante foi a capacidade de reproduzir música ao vivo com uma sensação de escala que creio também nunca ter ouvido até hoje, dando mesmo a sensação real de se estar no espaço físico onde a música foi gravada - isso foi particularmente evidente na rendição de Chris Botti (trompete) de My Funny Valentine, com Sting na voz. Continuando no trompete, também a versão ao vivo de Miles Davis a interpretar Time After Time (já agora, um cover de Cindy Lauper e não uma versão do famoso standard de jazz, como se suporia em Miles Davis) mostrou as mesmas espantosas qualidades espaciais deste sistema, dando a sensação quase surreal de sermos temporariamente transportados para outro espaço físico. Outro bom exemplo foi a versão de St James Infirmary, de Angela Brown.

Ainda sobre questões de palco, fala-se sempre muito sobre «desaparecimento» de colunas - não sei se as Marten desapareciam, mas a produção de imagem central era de tal forma palpável, que parecia estarmos a ouvir um sistema 3.0, com uma coluna no meio. Isso para mim foi particularmente evidente em Into my Arms, na versão de Camille O’Sullivan, faixa que já me tinha impressionado o ano passado, mas que atingiu aqui um nível de espacialidade notável, sentindo-se perfeitamente o tamanho da Union Chapel, em Londres. Mas, para além disso, a sensação de um ponto focal preciso mesmo no centro de imagem foi uma experiência imprecedente para mim, de uma precisão absolutamente cirúrgica. Ainda nesta faixa, voltaram a impressionar os graves dos tímbales e a o estéreo do atmosférico solo de guitarra. Outro bom exemplo de uma imagem central magistral foi a versão de Requiem: III. Pie Jesu, de John Rutter, pelos grupos corais Turtle Creek Chorale e The Women’s Chorus of Dallas, com condução do maestro Tim Seelig - estas gravações da Reference Recordings são famosas pela total ausência de compressão, o que confere uma gama dinâmica que pode chegar a ser excessiva, mas que se revelou uma parceira perfeita para este sistema, a mostrar que estes aparelhos fazem muito mais que representar escala, sendo capazes de introduzir muita emoção nos seus ouvintes.

Continuando na questão emocional, o meu momento preferido ao longo das várias horas que passei no Hotel Palácio, foi Le Mal de Vivre, canção de Monique Andrée Serf, interpretada magistralmente por Cécile McLorin Salvant, uma das maiores cantoras de jazz vivas, com um subtil e delicado acompanhamento do pianista Aaron Diehl (um nome pouco conhecido e que merecia mais reconhecimento). Um gravação de excelência, feita nos Avatar Studios e masterizada por Mark Wilder, um nome a ter sempre em atenção nos créditos, tive aqui a prova final que este sistema consegue aliar a precisão cirúrgica à emoção, uma tarefa rara e que poucos sistemas atingem.


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