Banner LG OLED  Audio Cinema 17-07-25
Sarte Audio Out 2025
Banner vertical Imac 30-04-25
Banner Exaudio 19-08-25
Banner vertical Ultimate Fever 24
Banner vertical Imac 30-04-25
Banner Absolute original
Diptyque_Wadax_Gryphon
Banner Logical Design_26 Jun 24

Audio Analogue Puccini Anniversary

Audio Analogue Puccini Anniversary

Miguel Marques

2 junho 2026

Gostei genuinamente muito do tempo que passei com este Puccini – não tinha tido nenhuma experiência com a marca italiana até agora –, e fiquei muito bem impressionado.


Comecei pelo clássico Somethin’ Else, editado em 1958 em nome do saxofonista alto Cannonbal Adderley, aqui na edição BN85 de 2024 (16/44.1, DR14, Pico -0.02 dB), remasterizada por Kevin Gray. Logo do primeiro tema, Autumn Leaves, notei de imediato o impacto muito rápido dos transientes, característica comum dos amplificadores sem feedback, com o agressivo som de Cannonball no alto a ser reproduzido com intensidade e ferocidade. Tal já não se verificou na trompete de Miles Davis, sendo Miles muito mais suave e contido no seu ataque ao instrumento (e a mostrar neste solo todo o seu apreço pelas sextas maiores sobre acordes menores, prática que fez escola e que ainda hoje é manifestamente sobre usada por músicos de jazz), embora o Puccini continue a mostrar agudos estendidos, com muito detalhe e informação harmónica. Os graves, teoricamente um problema dos amplificadores sem feedback, como escrevi acima, foram reproduzidos com muito controlo e precisão, sendo possível perceber todas as notas do walking bass de Sam Jones em Autumn Leaves (a boa masterização também ajudou, claro), mostrando que muitas vezes estas questões são mesmo apenas teóricas.

Foto 5 teste Audio Analogue Puccini Annivers

No tema seguinte, outro standard (Love for Sale, do inigualável Cole Porter), o contraste entre os dois sopros, uma marca profunda deste disco, volta a ser reproduzida com profundo realismo pelo Puccini, com as alterações dinâmicas apresentadas pela secção rítmica a serem também tocadas de forma impressionante, particularmente quando Art Blakey regressa às escovas, na reexposição do tema, com o volume da banda a descer uns bons decibéis e o Puccini a revelar-se exemplar nesse departamento. O palco, em hard panning, com os sopros à esquerda, a secção rítmica à direita, e o piano em ambos os lados, é muito fiel ao típico som Van Gelder, muito largo, mas sem soar excessivamente largo, o que por vezes acontece com os discos da Blue Note desta era (este ainda gravado em Hacensack, em casa dos pais de Rudy van Gelder, o que torna ainda mais impressionante a sua qualidade de som). Em One for Daddy-O, tema de Nar Adderley, trompetista e irmão de Cannonball, a faixa com mais swing, num andamento médio-lento (que por vezes pode soar um pouco arrastado com alguns amplificadores), o Puccini revela a utilidade da sua velocidade, nunca deixando o tema «morrer» ou cair, mantendo sempre o groove em alto nível. Na balada Dancing in the Dark, outro standard, já sem Miles Davis, os timbres das escovas de Art Blakey estão em muito bom nível, e volta a destacar-se a presença do som de Cannonball, com transientes ultra-sónicos.

Foto 6 teste Audio Analogue Puccini Annivers

Passei depois para o mundo do rock’n roll, com a compilação de 2001 ”1”, dos Beatles - até hoje ainda a minha versão preferida da banda inglesa, apesar das muitas remasterizações e remixes que já sucederam a esta compilação. De um ponto de vista de energia e ritmo (o famoso PRaT), o Puccini esteve sempre à altura dos acontecimentos - como notei em cima no tema One for Daddy-O, a resposta rápida nos transientes leva a que as músicas nunca percam pedalada, como aconteceu de forma evidente em She Loves You, um dos temas mais energéticos da banda. Notou-se, no entanto, que o Puccini favorece claramente mais as gravações de boa qualidade, o que raramente foi o caso com os Beatles - e as insuficiências das gravações são claramente expostas por este amplificador. O som marcadamente aberto é outra vez uma característica evidente, o que me agradou muito, com enorme clareza nas regiões mais elevadas do espectro de frequências, como as vozes, as guitarras ou os pratos da bateria, mas será certamente boa ideia ter cuidado nas sinergias com o sistema.

Segui depois para a música erudita, como disco Last Leaf (ECM, 2017, DR12), do quarteto de cordas Danish String Quartet. O lindíssimo timbre dos violinos nota-se imediatamente, a mostrar as vantagens de manter o registo agudo sem atenuações, com imensos harmónicos - e o mesmo se pode dizer da viola e do violoncelo, tanto no arco como no pizzicato. A separação instrumental esteve também em bom nível, sendo sempre possível seguir cada voz com nitidez, assim como a gama dinâmica - neste caso diria até que o Puccini esteve até bem acima do seu preço, a mostrar as vantagens de um som sem feeback, respondendo de forma muito rápida e imediata às muitas variações dinâmicas presentes na gravação.

Foto 7 teste Audio Analogue Puccini Annivers

Para terminar, dediquei-me à música mais folk, com o grupo Peter, Paul and Mary, e os seus discos Peter, Paul and Mary (1962, DR10) e In the Wind (1963, DR10), ambos editados pela Audio Fidelity em SACD (convertidos para FLAC 24/88,2) e remasterizados por Steve Hoffman. Os timbres das guitarras e das vozes voltam a ser irrepreensíveis e o palco é também muito bem representado - com as vozes bem colocados entre esquerda, centro e direita, sempre perfeitamente identificáveis, mesmo nos uníssonos, como excelente separação instrumental e colocação espacial, o que foi particularmente claro em It’s Raining. Também no clássico 500 Miles, um dos temas mais famosos deste grupo, a emoção na belíssima voz de Mary Travers é passada de forma directa e tocante. Já em Blowin’ in the Wind, numa interpretação muito própria do clássico de Bob Dylan, as variações dinâmicas voltam a surpreender, reconfirmando que é mesmo um dos pontos fortes deste amplificador.

Gostei genuinamente muito do tempo que passei com este Puccini - não tinha tido nenhuma experiência com a marca italiana até agora –, e fiquei muito bem impressionado. Já escrevi por muitas vezes que hoje em dia há excelentes all in one, e que percebo porque tantos audiófilos preferem esse caminho, mas um amplificador desta natureza, completamente analógico, acaba por ser uma compra mais racional a longo prazo, permitindo separar completamente o domínio digital e o domínio analógico - e até porque este Puccini revelou não ser demasiado exigente com as fontes precedentes, tendo tido um excelente emparelhamento com um Eversolo significativamente mais barato.

Foto 8 teste Audio Analogue Puccini Annivers

O Puccini não é o amplificador mais agnóstico que já testei, tem muita personalidade e mostra mais apetência por música acústica e bem gravada, mas quando se lhe alimenta música que cumpre ambos os requisitos, ele recompensa-nos com um som maravilhoso, com transientes rápidos, dinâmicas impressionantes, timbres realistas e muito presentes, um palco sempre correcto, com largura e profundidade mas sem agigantamentos artificiais, graves muito definidos, sem nunca tomarem contra do espectro musical, e agudos estendidos e detalhados, sem quaisquer aveludamentos ou atenuações. O comportamento do Puccini no domínio dos transientes e dos agudos sugere algum cuidado na escolha de fontes e (particularmente) de colunas, mas para quem não tenha colunas excessivamente brilhantes (e há umas quantas por aí...) e tenha particular tendência para a música acústica (leia-se: erudita, jazz, folk), tem neste integrado um companheiro ideal e recomenda-se sem reservas uma audição na Ajasom.


Amplificador integrado Audio Analogue Puccini Anniversary
Preço         5500 €
Contacto   Ajasom