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Eversolo T8 e DAC-Z10

Eversolo T8 e DAC-Z10

Miguel Marques

27 fevereiro 2026

Uma parelha que pede meças a muitas propostas de altos pergaminhos.


Audições

Comecei então os meus testes, ligando o T8 e o Z10 por USB, usando o próprio cabo da marca, e ligando, por XLR, o Z10 a um amplificador de potência TEAC AP-701, um classe D de profunda naturalidade, e que me permitiu ouvir com precisão o som deste Z10. As colunas foram umas KEF LS50 (originais), com a música a ser servida pelo MinimServer, com conversão de FLAC para Wave / 32 bits. Como ainda não vi medições do Z10, o T8 esteve sempre a atenuar em 3 dB o sinal digital, usando o Eversolo Volume Control, e, por vezes, usei alguma igualização para regular graves.

Foto 11

Eversolo T8 e DAC-Z10 inseridos no sistema de teste


E começo, por simplicidade, por falar da saída de auscultadores. Já escrevi por diversas vezes que nunca investiguei a fundo o mundo dos auscultadores, mas muitos produtos destes que vão passando por aqui têm saída de auscultadores e munido de uns Sennheiser HD 700 vou começando a ter algumas noções sobre o assunto… A primeira boa surpresa, como escrevi acima, é o Z10 detectar automaticamente a impedância e o ganho dos auscultadores que ligamos, removendo assim erros de utilizador (no meu caso não seria evidente ajustar nem um nem outro). Talvez devido a esses ajustes internos, talvez devido à experiência que a Eversolo ganhou com a Luxsin, marca do mesmo grupo dedicado apenas a produtos relacionados com auscultadores, gostei muito desta saída de auscultadores, que me acompanhou por muitas noites, umas das melhores que já ouvi até hoje, com um som muito largo e delicado, e excelentes graves, a mostrar que não é apenas um extra - creio que, para a maioria dos utilizadores, esta saída seria mais do que suficiente para uso constante (para mim, seria certamente).

Eversolo T8+DAC-Z10_Foto 12

Continuado para o uso com amplificador e colunas, a minha primeira escolha de disco recaiu sobre Grand Company (2023, Cellar, 24 96, DR12, Pico -0,02 dB), do pianista de jazz nova-iorquino Ray Gallon, muito bem acompanhado por Ron Carter no contrabaixo e Lewis Nash na bateria. Gravado no antigo estúdio de Rudy Van Gelder por Maureen Sickler e misturado e masterizado por David Darlington, é um disco muito bem gravado e muito bem tocado, e a combinação T8 Z10 soou sublime - o contrabaixo de Carter a conseguir o sempre difícil equilíbrio entre corpo e definição, e o piano e a bateria a apresentarem transientes presentes e realistas mas nunca agressivos. Timbricamente, os três instrumentos foram reproduzidos de forma irrepreensível, e a sensação de palco revelou-se coesa e intimista, mas com claríssima separação de instrumentos. Ainda no jazz, passei rapidamente pelo disco Coltrane & Hartman na versão da HDTT, empresa que se dedica a vender conversões suas de fita para digital, em formato DSD256, aproveitando o facto de o Z10 ler DSD Nativo (vantagens da AKM face à ESS), tendo confirmado todas as características mencionadas acima, neste caso particularmente no magnífico timbre da voz de Hartman. Nem sempre morro de amores pelo DSD, soa-me demasiado suave, mas é sem dúvida um som mais «analógico» que o do PCM e, para quem goste, fica a saber que o Z10 lê este formato nativamente o que, na minha experiência, faz uma grande diferença, ao manter intactas as características tão específicas deste peculiar formato musical.

Em seguida passei para o clássico Night Beat (1963, edição em SACD da Analogue Productions convertida para FLAC 24 88.2, DR 13, Pico -0,57 dB), de Sam Cooke, numa excelente remasterização de George Marino nos estúdios Sterling Sound. Se a masterização ajuda, o Z10 mostra que os mitos de que o digital ainda não apanhou o analógico são apenas isso mesmo, mitos - estas últimas versões dos AKM (ou dos ESS) soam fenomenais quando bem implementados e quando se lhes alimenta masterizações dignas desse nome… A voz de Sam Cooke ecoa por todo o quarto, com uma presença e nitidez assinaláveis, e também com excelente ligação emocional à música. O palco, claramente dividido em três, é reproduzido imaculadamente, os baixos bem definidos e os agudos bem estendidos mas sem nunca ferir os meus ouvidos. Melhor, nesta gama de preço, seria impossível…

Eversolo T8+DAC-Z10_13_2

Inspirado por One Battle After Another, de Paul Thomas Anderson (quiçá o melhor filme de 2025), decidi escutar Can’t Buy a Thrill (1972, edição em SACD da Analogue Productions convertida para 24 88.2, DR 11, Pico +0,17 dB) dos Steely Dan, em mais uma excelente remasterização, desta vez de Bernie Grundman. Especificamente em Dirty Work, o tema que ouvi na banda sonora do filme, marcou-me particularmente a excelente separação entre os muitos instrumentos presentes (comparar este clássico com qualquer tema que passe numa rádio comercial aos dias de hoje é, no mínimo, deprimente) e os timbres impecáveis das vozes e dos sopros. Também a dinâmica esteve em bom nível - isto é música para bater o pé (até dançar, para o mais afoitos) e nunca faltou energia ao Z10, muito pelo contrário.

Para terminar, decidir recorrer ao Qobuz (aproveitando para testar o Qobuz Connect, que funcionou sem quaisquer falhas), e ouvir o disco A Dark Flaring, do quarteto de cordas Signum Quartet, a interpretar composições para esta formação de compositores sul-africanos, uma cortesia da ECM. Como é apanágio da editora bávara, a gravação é do melhor que se faz hoje em dia, e o Z10 passou com distinção na prova de fogo que um disco destes representa: uma capacidade de reproduzir dinâmicas muito acima do que seria expectável nesta gama de preço, com os crescendos a terem um impacto sonoro impressionante. Os timbres de qualquer um dos instrumentos foram reproduzidos com um realismo infalível, com uma excelente separação entre todos eles. E, por fim, o palco, de um tamanho “massivo”, nunca soando fechado ou comprimido, e, tal como nas dinâmicas, a fazer lembras produtos muito, muito mais caros que o Z10…

Eversolo T8+DAC-Z10_Foto 14

Deixo ainda uma nota final para uma característica que notei ao longo das minhas semanas de audição do Z10: não é um produto meigo com gravações inferiores. Nada meigo, mesmo - a profunda transparência e realismo deste produto exige música bem gravada e bem masterizada, o que não é tão comum quanto seria desejável. Uma vez mais, fica a nota.

Concluindo, tal como o T8, o Z10 fica como a minha referência de DAC/prévio nesta gama de preço, a par do Audiolab 9000Q. E sugiro aos potenciais clientes deste produto que não olhem para ele apenas como um DAC, é um crime ignorar as excelentes qualidades deste pré-amplificador, parecendo-me que só gastando significativamente mais se irá ter ganhos sonoros evidentes, sendo no entanto importante referir que na última actualização o Z10 passou a contar com a possibilidade de fixar a saída, para quem queira ligar a um pré-amplificador externo.



Conclusão


Os produtos chineses na alta-fidelidade têm passado por diversas fases - começaram por ser olhados com desprezo e sobranceria por muitos, não sendo incomum ler-se o termo pejorativo «Chi-Fi» por essa Internet fora, sendo que mais recentemente têm conseguido conquistar algum espaço e respeito por parte da indústria, o que também se deve ao facto de muitas marcas já operarem no segmento entre os 2000 € e os 5000 € (num processo não muito diferente do que aconteceu aos produtos japoneses em tempos). No entanto creio que ainda muitos cometem um erro de análise quando olham para estes produtos - já não os vêm como produtos baratos e desinteressantes, mas vêem-nos como bons produtos “para o preço”, até por existir uma longa tradição na indústria de alta-fidelidade de “é mais caro, logo é melhor”. Ora, os Eversolo são excelentes produtos, ponto, independentemente do preço, e devem ser vistos como tal - sendo que me interrogo como é que a marca chinesa consegue produzir produtos deste calibre a este preço.

Eversolo T8+DAC-Z10_Foto 15

Tendo gostado do A8 e do A10, estes dois produtos não me tocaram da mesma forma que o A6, especialmente na Master Edition Gen 2, e que esta dupla T8 e Z10 me voltou a tocar. Há ainda aspectos (pequenos) a melhorar no software que, repito, é actualizado com uma frequência assinalável, mas é simplesmente impossível não recomendar esta dupla e esperar que a Eversolo tenha vindo para ficar (assim parece) na alta-fidelidade, tendo criado um admirável mundo novo para todos os audiófilos que não têm os fundos ou a inclinação para o high-end (cuja loucura de preços parece não ter fim à vista), mas querem qualidade de som sem quaisquer compromissos. Se aos dias de hoje começasse um sistema do zero, começaria de certeza absoluta por esta dupla, e não poderá haver melhor recomendação que esta.

Preços
Eversolo DAC-Z10     1980 €
Eversolo T8               1380 €
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