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Playback Designs MPD-6

Playback Designs MPD-6

Jorge Gonçalves

17 outubro 2026

Há bits que são mais iguais que os outros ou…Aquele cativo que nos tem cativos.


Andreas Koch, foi o fundador da Playback Designs, sendo neste momento o CEO e projectista especializado em DSD e SACD e, em conjunto com Bert Vogt, engenheiro de desenvolvimento, criaram uma ampla gama de leitores digitais de áudio, incluindo conversores digital / analógico (DACs), leitores de discos e leitores de rede, distribuídos pelas gamas Dream, Edelweiss e Sonoma. A Série Dream é a de topo e apresenta componentes de áudio de alta resolução, como o DAC MPD-8, o transporte / streamer MPT-8 e o leitor / streamer MPS-8. A sede da empresa é nos Estados Unidos, mais especificamente em Alamo, na Califórnia.

Foto 1 Playback_Designs_MPD6

No caso vertente vou falar sobre o MPD-6, originalmente um conversor D/A que faz parte da gama Edelweiss, mas que pode receber como complemento o módulo de streaming Stream-X2, o que aumenta a sua versatilidade. Existe ainda a versão MPS-6, na qual podemos encontrar um transporte de CD e SACD e que pode igualmente receber o módulo de streaming mencionado.



Descrição técnica

Tal como é apanágio da Playback Designs, a estrutura externa do MPD-6 é simples, quase diria espartana, o que não tem mal nenhum, antes pelo contrário. A estrutura mecânica assenta num conjunto de chapas de alumínio de elevada espessura, o que confere um peso «confortável» à caixa, a qual assenta em três pés. No painel frontal temos dois mostradores com um frontal em acrílico vermelho, dos quais apenas o que está no nível superior apresenta indicações relativas ao modo de funcionamento, através de LEDs de matrizes de pontos – o mostrador inferior apresenta somente o nível de volume, estando apagado quando se selecciona a opção de volume fixo.

Foto 2 Playback_Designs_MPD6

No painel traseiro temos um conjunto alargado de conectores, dividido em três grupos: entrada Ethernet e ligação USB para um disco externo; saídas analógicas RCA e XLR; entradas digitais – óptica (Toslink), AES (por XLR), coaxial (RCA), USB (para ligação ao módulo de streaming) e PLINK, uma ligação óptica de alta qualidade permite ligar entre si diversos equipamentos da marca. A tudo isto junta-se ficha IEC para a entrada do sector, equipada com fusível e interruptor geral.
Andreas Koch e Bert Vogt descreveram detalhadamente, num extenso artigo no seu site (em inglês), o que foi importante para eles na concepção e implementação da série Edelweiss e que acabou por ser igualmente importante para mim, já que me permitiu retirar dele um conjunto de informação importante. Em consequência, vou-me alongar um pouco nesta descrição técnica, já que os dois designers abordaram muitos aspectos interessantes da reprodução digital e implementaram soluções pouco convencionais. A série Edelweiss tem um preço inferior ao da gama Dream, mas tecnicamente tem muitos aspectos em comum com ela. Onde a separação física e o isolamento de diferentes componentes não foram possíveis por questões de custo, as novas soluções encontradas visam garantir uma separação, pureza e perfeição irrepreensíveis que se aproxima muito daquilo que acontece na gama Dream.

Foto 3 Playback_Designs_MPD6

Um circuito digital de entrada, entradas digitais e um visor no painel frontal são circuitos puramente digitais que podem ter um impacto significativo e muitas vezes negativo no desempenho global de um DAC se não forem cuidadosamente integrados no produto. A Playback Designs descobriu que a melhor solução é isolar fisicamente todos os circuitos digitais e alimentá-los com uma fonte de alimentação separada. Com a série Edelweiss, vão ainda mais longe do que com os componentes anteriores, fornecendo ao visor a sua própria fonte de alimentação dedicada, uma vez que consome muita energia. Além disso, existe uma blindagem mecânica entre as fontes de alimentação e os circuitos analógicos e digitais: a nova fonte de alimentação está blindada através de uma estrutura metálica que protege os circuitos analógicos contra interferências electromagnéticas. Todas as fontes de alimentação utilizadas nos produtos da série Edelweiss são lineares e têm um design completamente novo. A fonte de alimentação é essencialmente oito em um, uma vez que possui dois conjuntos de quatro circuitos paralelos com reguladores lineares de ruído ultrabaixo para isolar as secções individuais do circuito. O transformador é fabricado especificamente para designs de reprodução e está equipado com uma blindagem mu-metal integrada. Como se todo este cuidado não bastasse, podemos ainda encontrar na placa principal diversos reguladores locais (LT3091 e LT3089) colocados o mais perto possível dos circuitos a serem alimentados.
Os designers da Playback Designs partem do princípio de que o circuito conversor D/A e o andar para a saída analógica estão entre os elos mais sensíveis da cadeia de reprodução digital, pois são susceptíveis a influências negativas provenientes de circuitos de comutação digital, fontes de alimentação, fontes de alimentação externas e mesmo fontes externas. Até a mais leve modulação do relógio digital introduz jitter e pode contribuir para o que os audiófilos descrevem como “som digital”. Estas perturbações subtis, especialmente as relacionadas com o jitter, são frequentemente muito difíceis ou mesmo impossíveis de medir. Para controlar os efeitos de diafonia e intermodulação entre os canais de saída estéreo, na série Edelweiss o conversor D/A principal e os circuitos da saída analógica são cuidadosamente separados da secção digital.

Foto 4 Playback_Designs_MPD6

A maioria dos circuitos de áudio digital utiliza circuitos de relógio simples e integrados que funcionam a frequências não relacionadas com a taxa de amostragem de áudio. Mas há que ter em conta que dois geradores de relógio independentes dentro do mesmo produto, necessariamente não sincronizados entre si, actuam em oposição um ao outro e produzem distorção de intermodulação. Assim, uma das rigorosas regras de design Playback Designs especifica que se deve utilizar apenas um único gerador de relógio no elemento mais crítico, o DAC. Um aspecto muitas vezes negligenciado é que esta opção limita drasticamente a escolha dos circuitos de apresentação de informação e dos respectivos mostradores que muitas vezes utilizam circuitos de multiplexagem. È por isso que todos os produtos da Playback Designs utilizam mostradores relativamente simples, que podem ser controlados por um relógio externo sincronizado com a taxa de amostragem do ficheiro de áudio que está a ser convertido. Os produtos da Edelweiss utilizam uma única fonte de relógio para controlar todos os circuitos, desde a unidade de controlo ao processador de sinal, à entrada digital e ao mostrador / indicador de informação.
A Playback Designs utiliza um circuito proprietário no gerador de clock para eliminar o jitter. De acordo com a documentação técnica existente no site da Playback Designs, esta é uma das tecnologias mais importantes num DAC, e a marca está constantemente a desenvolver novos algoritmos baseados no conceito fundamental utilizado desde há 20 anos. É dada especial atenção à alimentação deste circuito, a qual está equipado com os reguladores lineares de menor ruído actualmente disponíveis no mercado. O resultado é o gerador de relógio mais limpo alguma vez desenvolvido pela Playback Designs, e o seu desempenho é incomparável em relação ao dos concorrentes.

Os projectistas sublinham que os DAC da série Edelweiss são baseados nos mesmos algoritmos fundamentais de processamento de sinal digital que tornaram os produtos anteriores da Playback Designs famosos em todo o mundo. Os novos filtros baseados na frequência e no tempo trabalham em conjunto para optimizar o desempenho durante os transitórios no sinal de áudio — e os sinais de áudio exibem frequentemente transientes deste tipo. Além disso, é empregue um filtro de apodização, que pode corrigir alguns dos efeitos indesejados causados pelo conversor A/D do estúdio durante a produção da obra musical.

Foto 5 Playback_Designs_MPD6

Os sinais de todas as entradas PCM são aumentados para uma taxa de amostragem muito elevada utilizando uma série de algoritmos, a partir dos quais são convertidos para DSD a uma taxa de amostragem ainda mais elevada. Todos os sinais DSD são também ampliados para esta taxa de amostragem intermédia. O que se segue, como observam Andreas Koch e Bert Vogt, é um processo digital proprietário que aumenta ainda mais a taxa de bits do sinal para aproximadamente 50 MHz. A esta frequência, a taxa de amostragem é tão elevada que a conversão para analógico é bastante trivial. A vantagem crucial é não apenas uma drástica simplificação da secção analógica do DAC, mas também evitar distorções não lineares comuns na maioria dos outros projectos de DAC. O DAC principal da série Edelweiss, como todos os produtos anteriores da Playback Designs, é construído com componentes discretos, mas recorrendo a uma arquitectura mais refinada, componentes mais precisos e eficientes e uma separação estrita entre circuitos sensíveis e tudo o que possa ter um impacto negativo no desempenho.
A Playback Designs não utiliza conversores D/A destinados ao mercado de massas (como os da ESS, AKM ou Burr-Brown). Em vez disso, emprega uma arquitectura discreta proprietária e personalizada, construída com base em FPGAs (Field Programmable Gate Arrays) e circuitos analógicos discretos desenvolvidos para utilizações específicas. Aproveitando o know-how que Andreas Koch retirou do desenvolvimento dos formatos DSD (Direct Stream Digital) e SACD, em parceria com Ed Meitner, todos os sinais digitais de entrada (PCM ou DSD) são reamostrados e convertidos internamente para o formato DSD Delta-Sigma de 1 bit, utilizando algoritmos de software proprietários que correm numa FPGA XILINX Spartan.

A série Edelweiss apresenta um controlo de volume analógico de altíssima qualidade, desenvolvido e refinado ao longo de muitos anos, recorrendo no MPD-6 a um CI específico da MUSES, o 72320. Este CI de alta qualidade tem uma capacidade de atenuação entre 0 e 111,5 dB, em passos de 0,25 dB e pode ainda inserir ganho, com um valor entre 0 e +31,5 dB. A separação de canais é melhor que -120 dB e o ruído e distorção são praticamente nulos mesmo para o nível máximo de saída que pode atingir 25 V.
O andar de saída analógica do MPD-6 é implementado utilizando os melhores componentes, como resistências de filme metálico com tolerância de apenas 0,1% e condensadores de filme, combinados com conversores de impedância de precisão e baixo ruído, bem como uma quantidade apreciável de Ampops OPA1612A. Este design completamente novo apresenta uma verdadeira arquitectura diferencial, o que significa que cada sinal de um canal de áudio (esquerdo e direito) consiste em dois sinais digitais totalmente diferenciais controlados por uma FPGA da XMOS dedicada exclusivamente à secção analógica. A transmissão de dados da placa digital para este FPGA é também diferencial, sem qualquer ligação galvânica à terra.

Foto 6 Playback_Designs_MPD6

Neste imagem lado a lado é fácil ver as diferenças em termos visuais e de apresentação de informação de três softwares de reprodução de ficheiros digitais. Da esquerda para a direita temos o MConnect, o Bubble, o Symfonyum e novamente o Bubble.


A Playback Designs recomenda a utilização da aplicação MConnect, a qual permite fazer o essencial mas não é de modo nenhum tão versátil ou tem uma GUI que se aproxime daquilo que o Roon disponibiliza (não nos podemos esquecer de que é gratuita), embora cumpra perfeitamente as funções principais e até entrou de imediato no Minim Server, usado cá por casa e onde todas as músicas do servidor estão catalogadas e classificadas em diversas secções. Nada mal! Apesar de tudo utilizei, em alternativa, a Symfonium e a Bubble, às quais estou mais habituado e que funcionaram lindamente.
Apesar de ter uma caixa de metal e um peso reconfortante para a nossa mão, o controlo remoto podia ser uma pouco mais «amigo do utilizador». O acesso aos menus não é intuitivo e há uma conjunto de teclas com setas para baixo e para cima que acabam por ter funções semelhantes, embora a sua conjugação dependa do modelo exacto em uso. Tendo em conta a vasta gama de equipamentos que a marca propõe, muitos deles semelhantes entre si, acredito que toda esta variedade de pontos de acção o tornem mais abrangente e lhe confiram a possibilidade de ser utilizado com praticamente todos eles mas…
É possível fazer um amplo conjunto de ajustes no funcionamento do MPD-6 utilizando a técnica de ajustes / definições e várias outras, por vezes uma conjugação duas. Apenas como exemplo, e porque me foi útil para colocar o volume do sinal de saída em fixo, a -3 dB, deixo aqui a sequência de operações necessárias: carregando na Tecla DAC do comando e, logo de seguida, na roda dentada dos ajustes e definições, tem-se acesso a um menu que nos permite, desde desactivar as entradas não usadas, a ligar o PLINK, a ajustar o nível de saída, introduzindo atenuação ou ganho: -6db, -3db, 0db, +3db, +6db. Pode-se, inclusive, saber qual o n.º de horas de utilização do equipamento – no meu caso, o MPD-6 vinha já com algo como muito perto da 4400 horas de uso, o que significa que a «rodagem» estava mais que feita – e olhem que saiu daqui com mais quase duas centenas! Só em termos de consolidar a afirmação que fiz acima, para conseguir ter acesso ao mesmo menu de configuração no MPD-6, deve-se começar por pressionar as teclas Disc e Settings, sequencialmente, e as setas de movimentação através do menu são agora as que estão situadas no conjunto central.

Foto 7 Playback_Designs_MPD6

Deixo igualmente aqui, para os eventuais interessados, as indicações relativas ao módulo opcional para streaming: o Stream-X2 é um módulo opcional que pode ser integrado no conversor MPD-6 e no leitor Edelweiss MPS-6. Disponibiliza streaming directamente de serviços como Tidal, Quobuz, Deezer e vTuner e também pode ser utilizado para se fazer streaming a partir de um dispositivo de armazenamento em rede tal como um NAS, ou de uma pen USB (os discos externos HDD não são suportados) ligada directamente à entrada USB específica (Streamer USB). Funciona como renderer e servidor DLNA e também suporta o protocolo de rede Roon, o que torna o MPD-6 “compatível com Roon”. A opção Stream-X2 deve ser instalada no leitor MPD-6 pela fábrica ou por um concessionário autorizado. Todas as garantias são anuladas se for o utilizador final a instalar esta opção.
As especificações são as seguintes:
Formatos suportados: PCM até 384 kHz nos formatos de ficheiro WAVE, WMA, FLAC, AAC, AIFF, Apple Lossless e MP3.
DSD até 11,2 MHz nos formatos de ficheiro DSF e DFF*.
*NOTA: nem todos os servidores DLNA suportam ficheiros DSD e, dependendo do seu NAS ou servidor DLNA, os ficheiros DSD podem não ser reproduzidos correctamente pelo Stream-X2.
Protocolos de rede suportados: DLNA, UPnP, Roon.
Serviços de streaming suportados: Tidal, Qobuz, Deezer, vTuner.


Cabo Ethernet Logical Cables Energy RJ 45 MK2

Juntamente com o Playback Designs recebi um cabo digital Ethernet produzido pela Logical Design. Tratava-se do cabo Ethernet Logical Cables Energy RJ 45 MK2 o qual tem a grande originalidade de utilizar condutores monofilamento de cobre puro, «new old stock», ou seja o cobre empregue nos condutores tem mais de 40 anos de existência. Além de raro, este é um material que não se pode mais reproduzir nos dias actuais. A Logical Cables fez várias tentativas com cobre de produção recente, as quais saíram frustradas pois apenas foi possível igualar a estética exterior, nunca se conseguindo a mesma performance sonora. De facto, o cobre de fabricação actual é misturado com outros metais que produzem como resultado numa sonoridade final contrária à filosofia da marca.

8 - Características dos fios de cobre normalmente utilizados em cabos digitais e de interconexão

Características dos fios de cobre normalmente utilizados em cabos digitais e de interconexão

Uma vez que os condutores utilizados têm um diâmetro acima do suportado pelos conectores RJ 45 (de excelente qualidade), estes têm que ser trabalhados de modo a conseguir-se que acomodem os 8 condutores. Para um cabo de apenas 1 metro, são necessários mais de 8 metros de condutores, por esse motivo, a grande maioria dos fabricantes não utiliza condutores nobres para cabos de rede, pois o custo elevado inviabilizaria o preço final.


E já é mais que tempo de passar então à...


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