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Octave HP 300 SE / RE 320

Octave HP 300 SE / RE 320

11 outubro 2026

O melhor de dois mundos


Audições

Os Octave substituíram a minha amplificação residente, tendo sido ligados às colunas Marten Parker Trio via cabos Kimber Select KS-3033. Como fonte de sinal esteve o streamer Aurender A-20, tendo ainda sido utilizado um transporte de CD Primare DD15 ligado ao DAC interno do Aurender via cabo coaxial Nordost Blue Heaven. A cablagem incluiu ainda o Kimber Select KS-1121 na interligação analógica da saída do Aurender à entrada XLR do prévio Octave e, nas colunas, os habituais Kimber Select KS-3033.


                        Lista de obras escutadas durante as audições


• G. Mahler – Sinfonia nº 9, Orq. Radiodifusão da Baviera, Sir Simon Rattle, Tidal
• A. Bruckner, Sinfonia nº 4, Orq. Sinfónica de Atlanta, Nathalie Stutzmann, Tidal
• W. A. Mozart, Conc. p/piano e orq. 17 em Sol maior k453, Maria João Pires, Orq. Cam. Europa, Claudio Abbado, Qobuz
• F. Mendelssohn, Da Israel aus Aegypten Zog Op. 51, Coro e orq. Gulbenkian, CD Erato
• N. Paganini, Conc. p/violino e orq. nº 3 em Mi maior, Salvatore Accardo, Orq. Sinf. Londres, Charles Dutoit, CD DG
• E. Grieg, Peer Gynt, Coro e Orquestra sinfónica de Gotemburgo, Neeme Järvi, Qobuz
• M. Mussorgsky, Quadros de uma exposição (orquestração de Ravel), Orq. Minnesota, Eiji Oue, Qobuz
• Aki Takase, Maria João, Niels Pedersen - Alice, Tidal
• Patricia Barber, Café Blue, Qobuz
• Diana Krall, The girl in the other room, Qobuz
• Joe Morello, Take Five, Qobuz


Não é preciso muito tempo de audição para perceber que o conjunto Octave oferece o melhor de dois mundos. Por um lado, o requinte, suavidade e a densidade orgânica das válvulas, por outro lado, o poder, velocidade de resposta e impacto físico dos melhores circuitos de estado sólido.

Foto 9 Octave RE320+HP300

Iniciei as audições com o salmo Da Israel aus Aegypten Zog Op. 51, de Mendelssohn, numa gravação com o coro e orquestra Gulbenkian efectuada na década de setenta na igreja da Graça em Lisboa. Apesar de não ser perfeita, é uma gravação muito atmosférica que capta com invulgar acuidade a acústica do local e transmite uma agradável sensação de volumetria, colocando os músicos num plano algo distante, mas perfeitamente integrados no excipiente acústico do local, contribuindo para uma experiência auditiva muito realista e natural. A sonoridade ampla dos Octave potenciou as características da gravação, desenvolvendo um palco sonoro de amplas proporções no qual o coro surge perfeitamente delineado num plano superior ao da orquestra, sendo facilmente inteligíveis quer os contributos dos diversos naipes do coro quer o acompanhamento orquestral, graças à espacialidade da gravação, mas também pelo equilíbrio entre fidelidade tímbrica, dimensões do palco sonoro e transparência que a amplificação empresta à reprodução sonora.

Os Octave brindaram-me com uma sonoridade em que de imediato se destaca uma dinâmica exemplar, porque isenta de efeitos artificiais, e onde nada na sonoridade dos Octave parece ter sido moldado de modo a impressionar de um modo imediato e artificial. Exemplar é mesmo o adjectivo correcto para definir uma dinâmica desenvolta e que se caracteriza pelo total à-vontade com que lida com os crescendos orquestrais mais imponentes e imediatos, o que foi cabalmente demonstrado na audição da suíte Peer Gynt de Grieg. Por outro lado, se nos detivermos num instrumento solista como o violino, continua a notabilizar-se pelo modo como trata as subtis variações dinâmicas do violino e da orquestra com total respeito pelas diferenças em termos de volume, de tal forma que o equilíbrio entre solista e orquestra permanece inalterado, como ficou bem patente na audição do concerto de Paganini, que revelou sempre uma enorme clareza de percepção, sem quaisquer exageros do lado do violino ou sinais de compressão do lado da orquestra.

Foto 10 Octave RE320+HP300

A gama média é absolutamente líquida e prolonga-se até um registo agudo muito solto, mas firmemente controlado de carácter límpido e extenso, sempre suave e isento de quaisquer asperezas ou efeitos susceptíveis de induzir cansaço, e que empresta aos instrumentos de cordas uma tonalidade rica em harmónicos e aveludada na textura, com timbres verdadeiros e sedutores.

O registo grave é poderoso, muito mais poderoso do que os 2x130 Watt a 4 Ohm de potência especificada fariam supor. Apresentando-se rápidos e bem articulados, combinam uma boa extensão com uma notável paleta tonal onde é fácil apercebermo-nos de diversas notas graves com origem simultânea e em instrumentos diferentes. Apenas em música baseada em batidas mais intensas ou ritmicamente complexas não senti a mesma sensação de impacto e presença física que experimento com a minha amplificação residente.

Com o Concerto nº 17 em Sol maior para piano e orquestra, de Mozart, o piano soou particularmente fiel, já que nunca se perde a continuidade entre o registo grave da mão esquerda e a acutilância dos agudos na mão direita que se revelaram extremamente límpidos, suaves e de notável extensão. Ao manter o mesmo rigor tímbrico ao longo do espectro de frequências, o piano soa como um instrumento íntegro e completo ao invés de parecerem dois instrumentos distintos como por vezes acontece.

A grande orquestra beneficia especialmente da escala do palco sonoro gerado, grandioso nas três dimensões e particularmente revelador em profundidade, o que não é muito habitual, e que permite revelar facilmente a acústica do local de gravação com uma focagem sobre os músicos que favorece a totalidade em detrimento da individualidade para nos presentear com uma imagem global do acontecimento que é grandiosa na escala, calorosamente envolvente e que resulta em audições extremamente agradáveis.

Foto 11 Octave RE320+HP300

Por fim, já com uma ideia clara do potencial do conjunto Octave, liguei a Super Black Box. Mesmo com umas colunas não particularmente difíceis como as Marten Parker Trio e numa sala pequena, foi possível constatar um ganho claro na forma como o amplificador mantém a dinâmica e a coerência tonal mesmo perante picos complexos de música orquestral, soando ainda mais líquido e demonstrando um palco sonoro mais estável mesmo na presença de trechos musicalmente complexos. O facto de se tratar de um acessório é uma vantagem, dado permitir ao utilizador iniciar o sistema com a versão base do amplificador e, mais tarde e se considerar justificado, avançar para a compra da Black Box ou Super Black Box, promovendo ao máximo o potencial do amplificador.


Conclusão


Após as audições ao conjunto Octave fiquei convencido que este se destina antes de mais ao entusiasta do som de válvulas, mas que não quer abdicar da dinâmica, rapidez e impacto que são apanágio dos transístores.

Os Octave oferecem uma reprodução sonora que é globalmente muito neutra, transparente, timbricamente verdadeira e de uma suavidade a toda a prova. Por outro lado, não se intimida perante as passagens musicais mais complexas, respondendo com um som potente, articulado e revelador. É caso para dizer que oferecem o que de melhor o mundo das válvulas e o mundo dos transístores têm para oferecer aos audiófilos, aqui reunidos num mesmo produto.


Preços

HP 300 SE (linha)               6 990 €
RE 320                             11 660 € + 320 € (válvulas KT150-TS)
Super Black Box             3 100 €

Contacto Ultimate Audio

Foto 12 Octave RE320+HP300