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Supra USB 2.0 Excalibur

Supra USB 2.0 Excalibur

Jorge Gonçalves

23 agosto 2026

Os cabos não se medem pelo preço.


Audições


O Supra USB 2.0 Excalibur A-B foi inserido no meu sistema habitual, formado pelo conjunto de amplificação Inspiration 1.0, da Constellation, tendo como fonte digital o Roon Nucleus Plus, alimentado pela fonte de alimentação Ferrum Hypsos, com o iFi Audio Pro iDSD como descodificador D/A e renderer de MQA (descodificação completa); e ainda o leitor de CD Accuphase DP-85, ligado ao mesmo conversor D/A da iFi Audio. No domínio analógico brilhava o gira-discos Basis com braço SME V Gold e cabeça Air Tight PC1 Supreme, sendo o prévio de gira-discos o Nagra CLASSIC Phono.

Foto 4 Supra Excalibur

As colunas eram as Diptyque DP 140MkII, e os cabos de interconexão eram predominantemente da gama Select, da Kimber, com o AudioQuest Thunderbird ligado entre o iFi Audio Pro DSD e o prévio da Constellation. Na alimentação de sector pontuava a régua Vibex Granada Platinum, à qual ligavam todos os equipamentos electrónicos em uso, sendo o amplificador de potência da Constellation alimentado através do cabo Tiglon TPL-2000A. O Silent Power LAN iPurifier Pro, acompanhado pelo cabo de Ethernet AudioQuest Cinnamon, tomou conta das ligações à Internet.
O cabo digital de Supra substituiu o Audioquest Carbon que normalmente utilizo, e que custa duas vezes o seu preço, entre o Roon Nucleus Plus e o Pro iDSD e tenho de dizer desde já que ele não se sentiu nada intimidado por isso! Vamos então ver os detalhes…
Passado o necessário tempo de rodagem, o impacte imediato é de um detalhe e coerência extremamente bons, com graves ágeis e firmes e muita expressividade nos agudos. Mais do que isso, porém, o Supra Excalibur tinha uma uniformidade em termos musicais que se revelou extremamente atraente e coerente. Havia muitos detalhes disponíveis, com o cabo a disponibilizar a quantidade certa de energia nas diversas frequências da gama audível sem brilhos ou asperezas que poderíamos eventualmente assumir serem naturais num cabo digital relativamente barato. Tal foi particularmente perceptível ao reproduzir, por exemplo, Blue Matter, de John Scofield. Esta faixa tem uma excelente batida de bateria através de Don Alias, e tem ainda uma ampla presença de sons na gama média, principalmente os da guitarra de Scofield. Foi muito interessante a maneira como o Supra Excalibur conseguiu lidar com esta profusão de sonoridades e de energias, sem misturar tudo ou mesmo alterar os timbres.
Com o passar dos dias e das semanas, o Excalibur revelou que tinha mais uma carta na manga, a qual se traduziu como que num ligeiro impulso extra à já bem inteligível gama média. Não um acréscimo a nível de uma frequência específica, mas um aumento geral de clareza e articulação nesta secção tão importante. Foi uma melhoria ligeira, mas ainda assim uma melhoria.

Foto 5 Supra Excalibur

Há uma sensação de intimidade e foco no som, e uma coerência que faz com que, por exemplo, as letras das músicas sejam mais inteligíveis, isto em comparação com um cabo que por vezes utilizo, um CAT 7 de excelente qualidade. Há também um elemento para mim importante na reprodução da música que normalmente não se manifesta a este nível de preços, e que funciona muito bem com o Excalibur - as qualidades rítmicas da música. Há alguns cabos que parecem alterar o ritmo de formas totalmente erradas, fazendo com que o som pareça lento perante variações rítmicas ou dinâmicas dos instrumentos. O que este cabo da Supra faz muito bem é permitir que quer toquem todos em conjunto ou cada um por si, o ritmo tenha sempre a precisão correcta.
Só como mais um aspecto ilustrativo desta capacidade muito valiosa do Excalibur, destaco agora a reprodução da peça Badinerie, de Bach, por parte de Katia Buniatishvili. Trata-se de uma estrutura musical curta (um minuto e 20 segundos de duração) que vive de uma movimentação constante, de uma velocidade de execução por vezes quase alucinante e que pode ficar totalmente sem graça se o sistema não a apresentar exactamente desse modo. E só tenho a gabar o modo como Bach foi «tratado», com a música a saltar qual água fresca e cantante jorrando de uma fonte depois das chuvas intensas do Inverno, nos tempos em que havia disso e as ribeiras se enchiam, embora de modo natural e não violento como agora.
É quase considerado normal que os cabos mais caros recebam sempre elogios (e uma outra crítica) porque oferecem um desempenho sem restrições de custos e são geralmente utilizados em sistemas sem restrições de custos. Mas que um cabo de preço bem acessível consiga trazer para um sistema razoável melhorias sensíveis já não é tão usual.

Foto 6 Supra Excalibur

Sei que alguns dos que lêem presumem logo de partida que mudar o cabo USB não traz qualquer diferença para o desempenho de um sistema, mas o melhor é experimentar para não se ficar com ideias preconcebidas. E o Excalibur permite fazer experiências no campo digital sem ser necessário fazer investimentos da ordem das muitas centenas ou mesmo milhares de euros. Ouvir para crer, adaptando a frase de São Tomé.


Supra USB 2.0 Excalibur
Preço       144 € para 1 metro
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