
As Sopran 622 assumem-se facilmente como o modelo a bater no respectivo segmento.
Audições
As Morel Sopran 622 foram ligadas ao meu sistema residente, constituído por amplificação Accuphase C-2300/P-7500, streamer Aurender A20 e ainda um transporte de CD’s Primare DD15. Do lado analógico esteve o gira-discos Pro-ject Xtension 10 Evolution com cabeça Hana ML e o prévio de phono Elac PPA-2. A cablagem incluiu o cabo digital Nordost Blue Heaven Coaxial, enquanto nas interligações analógicas estiveram os Madrigal CZ-Gel, Kubala-Sosna Fascination e Kimber Select KS-1121 e, nas colunas, os habituais Kimber Select KS-3033.

As colunas da Morel foram colocadas sensivelmente na mesma posição em que costumam estar as minhas colunas residentes, tendo ficado a cerca de 70 cm da parede posterior e 40 cm das paredes laterais, e tendo inicialmente optado por um posicionamento paralelo entre elas. Posteriormente acabei a optar por inclinar as colunas muito ligeiramente na direcção do ponto de escuta, posição em que me pareceram exibir o melhor compromisso entre focagem e profundidade do palco sonoro.
Lista de obras escutadas durante as audições
• A. Bruckner, Sinfonia nº 7, Orquestra Filarmónica Viena, Herbert von Karajan, DG (CD)
• S. Rachmaninov, Concerto p/piano e orq. nº 2, Vladimir Ashkenazy, Orq. Concertgebouw Amesterdão, Bernard Haitink, Qobuz
• A. Vivaldi, Conc. p/flauta de bisel em Dó maior RV443, I Musici de Montreal Yuri Turovski, Chandos (CD)
• J. S. Bach, Missa em Si menor BWV232, Hansmann, Liyama, Watts, Equiluz, von Egmond, Wiener Sängerknaben, Chorus Viennensis, Concentus musicus Wien, Nikolaus Harnoncourt, Teldec (LP)
• J. Sibelius, Concerto para violino e orquestra em Ré menor, Op.47, Anne-Sophie Mutter, Staatskapelle Dresden, André Previn, Qobuz
• Alan Parsons Project, Eye in the Sky, Tidal
• Patricia Barber, Café Blue, Qobuz
• Pink Floyd, The Final Cut, CBS Sony (LP)
• Keith Jarrett, The Köln Concert – ECM Records (LP)
As Sopran 622 presentearam-me com uma sonoridade que me impressionou desde as primeiras audições, e que me obrigou a refazer algumas ideias preconcebidas acerca do que é espectável de umas colunas com as dimensões destas Morel. Desde que bem alimentadas as Sopran 622 apresentam-se com uma sonoridade voluntariosa, dinamicamente desenvolta, com uma claridade que é incrivelmente reveladora, sendo capazes de projectar uma densidade harmónica e um sentido de escala que habitualmente associamos a projectos de muito maiores dimensões / volumetria.
A sonoridade das Sopran 622 tem associado uma imediatez impregnada de uma qualidade luminosa, a que não será estranho um valor de distorção perceptível baixíssimo, que causam estranheza nas primeiras audições. Na verdade, não é comum vermo-nos perante uma coluna destas dimensões e deste preço, capazes de deitar cá para fora uma orquestra sinfónica a plenos pulmões de forma tão convincente, sem quaisquer vestígios de agressividade e, simultaneamente, permitindo que nos detenhamos nos mais ínfimos detalhes presentes na gravação de um modo totalmente natural e sem qualquer esforço da parte do ouvinte.

O palco sonoro gerado é imponente nas três dimensões, com uma focagem exemplar, desde que bem posicionadas, e uma resolução em profundidade que esteve ao nível do melhor que já experimentei na minha sala de audições. Mais admirável o facto de o palco sonoro não afunilar nos planos mais recuados, os quais permanecem perfeitamente focados e inteligíveis, mesmo nos momentos mais complexos. Apenas se notará uma pequena oscilação se se tentar ouvir música exageradamente complexa a volumes de som pouco saudáveis.
Ainda que seja espectável algumas limitações ao nível da extensão dos graves em colunas de pequenas dimensões, a verdade é que as Morel me surpreenderam pela positiva quer pela qualidade quer pela quantidade de graves que conseguem produzir. Os tímbales são reproduzidos de modo muito realista, denotando a tensão e o impacto físico necessários a uma fruição completa da sonoridade. Naturalmente, que não possuem a escala que experimento com as minhas colunas residentes, de volumetria e preço muito superior, contudo, o que me parece ser de destacar é forma como o som produzido se apresenta de forma tão completa e coerente que soa simplesmente como correcto e verdadeiro.
O ambiente algo intimista, quase místico, que perpassa pela interpretação da Patrica Barber do tema Mourning Grace, incluído no álbum Café Blue, foi retratado de um modo muito convincente, com a voz a beneficiar da clareza e detalhe que as Sopran 622 emprestam à reprodução musical, soando sempre muito natural, sem esforço aparente e revelando com facilidade o subtil trabalho vocal da cantora solista.
Tal ficará a dever-se, sem dúvida, a uma gama média de tonalidade muito clara, aliada a uma transparência assinalável, à ausência de grão e à baixa distorção aparente, do que resulta numa apresentação sonora muito detalhada e uma grande facilidade em seguir o acontecimento musical.

A grande gama média é a responsável pelo arejamento e luminosidade que caracteriza o som destas Morel. Essencialmente neutras do ponto de vista tonal, mas com uma característica sedosa, aveludada, que tão familiar é aos ouvidos dos que conhecem os produtos de car audio de topo da marca, apostam numa clarividência e numa capacidade para mostrar o mais ínfimo detalhe existente nas gravações, mantendo uma surpreendente coesão e homogeneidade sonora que resulta em apresentações muito coerentes, equilibradas e que convidam a longas horas de audição sem que se manifestem quaisquer efeitos susceptíveis de induzir cansaço auditivo.
O registo agudo é também invulgarmente extenso e límpido, nem adocicado nem clínico, apenas explícito e informativo, dando continuidade ao trabalho efectuado pela unidade de frequências médias / graves. Este tweeter da Morel que tem sido elogiado pela imprensa internacional em diversas aplicações é de facto um caso de estudo, porquanto exibe a doçura e musicalidade características das cúpulas de seda, mas demonstra, por outro lado, um nível de transparência e resolução que é apanágio das melhores unidades de cúpula metálica.
Uma característica que muito me agradou foi a capacidade demonstrada para tocar alto e de um modo imperturbável, mantendo as correctas proporções e os cambiantes dinâmicos das peças musicais. Ainda que a música assuma grande complexidade e escala, como, por exemplo, na 7ª sinfonia de Bruckner, as Sopran 622 limitam-se a deitar cá para fora o que lhes é pedido de um modo sereno e imperturbável, uma característica muito pouco comum a este nível de preços.

Conclusão
As características sonoras que aliam, um grave potente e presente, mas bem articulado, uma gama média aveludada e transparente e um registo agudo doce, extenso e muito limpo, estão todas presentes nestas Sopra 622. Naturalmente fico curioso para ouvir um dos modelos acima na gama Sopran.
Não tenho pejo em afirmar que as Sopran 622 serão capazes de se bater com colunas até aos 10000 €. Numa sala de dimensões não muito avantajadas e desde que alimentadas por amplificação à altura do seu potencial, as Sopran 622 assumem-se facilmente como o modelo a bater no respectivo segmento.

Características técnicas
Tipo de Caixa: 2 vias, bass-reflex
Altifalantes Woofer: 1 (165 mm) fibra de carbono, com cúpula
integrada e manga de cobre
Tweeter: 1,1” (28 mm) Acuflex, cúpula macia com manga de cobre
Resposta em frequência 30 a 22 000 Hz (45-18 000 Hz ±1,5 dB)
Sensibilidade (2.83 V/1m) 88 dB
Crossover: 2,2 kHz
Potência admissível: 180 WRMS / 750 W (nominal / pico)
Dimensões: 270x383x370 mm (LxCxA)
Peso 16 kg
Preço 6 990 €
Representante:Esotérico