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Ultimate Sessions Lisboa com B&W e Electrocompaniet

Ultimate Sessions Lisboa com B&W e Electrocompaniet

Jorge Gonçalves

4 novembro 2026

Apresentação em grande plano da Electrocompaniet e das novas B&W D5 em Lisboa


          Conversa com Volker Hunger, director técnico da Electrocompaniet

Foto 4 Ultimate Electrocompaniet

Devido a razões familiares, Lasse Danielsen acabou por não poder deslocar-se a Lisboa mas não perdi muito com isso, até porque já tínhamos trocado umas breves impressões durante o show de Varsóvia, porque Volker Hunger se mostrou um excelente conversador (falámos durante quase uma hora e meia!) e pude assim abordar com ele detalhes técnicos extremamente interessantes sobre os vários produtos da marca. Tão interessante foi a conversa que Volker me prometeu enviar um documento interno que aborda as minudências ligadas ao desenvolvimento do sofisticado controlo de volume do prévio EC5, desenvolvimento esse que demorou nada menos de 10 anos. Passemos então aos detalhes da nossa conversa.

P (JG) – Há um tema que venho abordando com vários fabricantes de áudio e que tem a ver com distribuição dos níveis de ganho correctos entre os vários elementos de um sistema de áudio: um prévio deverá ter um ganho não muito maior do que 12 dB (quatro vezes) e o amplificador de potência algo como 27…28 dB, isto para umas colunas de sensibilidade média (em volta dos 90 dB). O facto de não se ter em consideração este equilíbrio de ganhos é, quanto a mim, uma das razões fundamentais para certos sistemas nunca tocarem bem, mesmo que os elementos individuais sejam de alta qualidade. O que pensa sobre isso?

R (VH) – Estou de acordo em termos globais. Basta ver que o nosso AW800 tem um ganho de 24 dB e o EC5 também tem, como atenuação nula, um valor de ganho semelhante ao que mencionou. Ao mesmo tempo, a adaptação de níveis de ganho torna-se extremamente simples de fazer no caso do EC5 porque o controlo de volume faz parte integrante do circuito de amplificação AmpliWire. No futuro próximo teremos um update de sofware que possibilitará que se possam definir as situações de ganho ou atenuação entrada por entrada, para facilitar exactamente a obtenção dos níveis de ganho global do prévio que mencionou.

Foto 5 Ultimate Electrocompaniet

P (JG) – No seguimento da questão anterior, qual é a razão para existir a possibilidade de ter um nível de ganho de até +20 dB através do controlo de volume do EC5?

R (VH) – Como já mencionei na resposta à pergunta anterior, a existência de fontes com os mais diversos valores de tensão nominal de saída, que pode ir dos 2 V aos 8 V, obriga-nos a tentar ser o mais compatíveis possível com a fonte que o consumidor irá ligar ao prévio no seu sistema. Um outro aspecto que convém destacar é que é possível, como uma opção de salvaguarda de segurança, definir no prévio um nível máximo de tensão de saída do EC5 para evitar que inadvertidamente alguém rode o volume para o máximo e provoque danos irreparáveis nas colunas.

P (JG) – Quantas resistências são usadas no controlo de volume do EC5 e onde estão situados os MOSFET de comutação – fazem parte de um circuito integrado ou são componentes discretos?

R (VH) – Para qualquer posição do controlo de volume, e são 1000, em passos de 0,1 dB, temos sempre apenas duas resistências no percurso do sinal. Para tal tivemos que implementar uma solução original para o controlo de volume e para os circuitos de comutação. Quando eu lhe enviar o documento interno que descreve os vários passos do desenvolvimento deste circuito ficará a saber bastante mais relativamente aos detalhes da implementação, inclusive quantas resistências utilizamos no total, e perceberá porque é o seu desenvolvimento demorou dez anos!

P (JG) – Esta pergunta é um pouco provocadora: porque é que os vossos responsáveis de marketing continuam a utilizar o termo «funcionamento em classe A» no caso de um prévio quando tal é perfeitamente supérfluo, uma vez que todos os circuitos de amplificação de sinais de baixo nível funcionam em classe A?

Aqui Volker deu uma gargalhada e respondeu de forma mais ou menos diplomática:

R (VH) – Tem razão, é sempre difícil controlar aquilo que os especialistas de marketing escrevem para tentarem realçar as qualidades dos nossos equipamentos. Mas talvez consiga convencê-los a utilizar outros argumentos, esses totalmente válidos em termos técnicos e de marketing, tais como, por exemplo: os nossos circuitos de amplificação não utilizam circuitos integrados, apenas componentes discretos.

Foto 6 Ultimate Electrocompaniet

P (JG) – O AW800 substituiu o AW600. Qual a razão principal para tal?

R (VH) – Temos que ter em atenção que os amplificadores de potência da Electrocompaniet tiveram como base o AW600, também designado Nemo, lançado em 1999. De aí para cá houve vários avanços tecnológicos em diversas áreas que justificaram que os circuitos electrónicos fossem redesenhados e, por outro lado, alguns consumidores que tinha no seu sistema colunas difíceis de controlar devido aos valores baixos de impedância e rendimento, pediam-nos desde há algum tempo um amplificador do nível do AW800.

P (JG) – Os dois amplificadores internos do AW800 são ligados no modo bridge quanto se utiliza o amplificador no modo mono? Há várias pessoas que consideram que a ligação neste modo de funcionamento compromete de algum modo a performance.

R (VH) – Concordo consigo, embora tudo dependa do modo como os circuitos de amplificação são desenvolvidos. No entanto, o funcionamento no modo balanceado e o facto de os circuitos do AW800 terem sido estudados logo de início para poderem funcionar em bridge eliminam quase em absoluto a variação na performance ligada à comutação entre os dois modos. Além disso, muitos amplificadores vêem o factor de amortecimento (damping) baixar drasticamente no modo bridge, o que não acontece no AW800 que continua a ter um valor superior a 1000 para este factor quando se selecciona o funcionamento em mono.

Foto 7 Ultimate Electrocompaniet

P (JG) – A Electrocompaniet continua e continuará a fabricar os seus equipamentos na Noruega?

R (VH) – Aqui Volker mostrou-me um vídeo com imagens do interior da fábrica e das várias áreas de produção. E foi interessante ver que mesmo as placas de circuito impresso e a soldadura automática de componentes por banho de solda ocorrem na fábrica de Tau, perto de Stavanger. Uma vez que estas capacidades existem, seria lógico que elas fossem rentabilizadas ao máximo, e é isso que a marca faz, fabricando placas completas para empresas exteriores com as mais diversas utilizações tecnológicas, incluindo as indústrias militar e aeroespacial e nalguns casos essas produções estão sujeitas a um nível de segredo tão elevado que nem Volker pode entrar nas instalações a elas dedicadas!

P (JG) – Até aqui temos apenas falado em produtos e tecnologias referentes à linha Classic. Em termos percentuais, como se dividem actualmente as vendas entre as gamas Classic e Living?
R (VH) – E há alguma lógica em termos falado apenas na linha Classic porque estamos a pouco e pouco a colocar de lado a linha Living, a qual apela fundamentalmente a consumidores que tenham um sistema baseado na Classic e queiram estender o funcionamento para outras zonas da casa ou mesmo para um escritório. Como tal, as vendas da linha Living não contam neste momento com mais de 2% para as nossas vendas globais anuais.

E fechámos aqui a nossa troca de impressões, com os desejos finais da minha parte de que a Electrocompaniet tenha o maior sucesso com esta nova parceria de distribuição, e os meus agradecimentos a Volker Hunger pela maneira franca e aberta como respondeu às minhas questões.

Foto 8 Ultimate Electrocompaniet

Uma visita à Ultimate Audio não fica completa se não passarmos alguns minutos na «sala nobre» onde pontuavam desta vez as imponentes Stenheim Reference Ultime Two acompanhadas por electrónica Goldmund, Stellavox, e Boulder.